13 de julho de 2014

Imagens da 2ª Romaria do Terço das Mulheres

Lições da Copa

Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares (PE)
Envolvendo países de diversos Continentes, desde 1930, realiza-se a Copa do Mundo que sempre foi vista como um evento que promove o congraçamento entre as nações. Com efeito, ao longo dos tempos, o futebol vem se revelando como o “esporte das multidões”. De fato, entre essas multidões, há pessoas e grupos realmente que amam o seu clube e beijam a camisa de seu time, apaixonadamente. Hoje a crônica jornalística identifica, entre estes, muitos casos de paixão doentia, basta que se analise o quadro de violência, em muitos países e cidades, nos estádios e arredores, nas vias públicas e nos transportes coletivos. Trata-se de uma doença social, com registro de mortes, de sequelas físicas em pessoas e de prejuízos públicos.
Sediar a Copa do Mundo é uma aspiração de muitos países, em razão dos dividendos de natureza política, turística e financeira que são colhidos por seus patrocinadores; nessa direção, de conformidade com o calendário da Fifa, evidenciam-se a disputa para sediar a Copa, visível na mídia, e os interesses de um variado lobby que, por natureza, sempre é obscuro. De regra, no momento dessa definição, a população vê com “bons olhos”, com euforia, a realização da Copa em seu país. Por ter feito as démarches requeridas pela Fifa, o Brasil viu coroado de êxito o seu empenho, ao ser escolhido, em 2007, como país-sede da Copa de 2014, fato que trouxe alegria à população. Todavia, com o “andar da carruagem”, segmentos da população foram fazendo sua leitura a respeito do evento, diante das suas muitas implicações, e começaram a se posicionar, de forma mais crítica. Assim, no contexto da abertura da Copa, conforme Pesquisa do Ibope, “Metade da população brasileira é a favor da realização da maior competição do futebol mundial no Brasil: 51% versus 42% que são contra”. Nessa leitura criteriosa, o ítem “custos financeiros” pesou muito, diante de muitas necessidades da população que deveriam ter prioridade, ao serem formuladas as políticas públicas, no âmbito municipal, estadual e federal.
A CNBB, entre muitas instituições da sociedade, se pronunciou a esse respeito: “Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções. O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência.”
A Copa do Mundo deixa lições que devem ser examinadas, responsavelmente, por quem a promoveu, pelos países que dela participaram e, de maneira especial, pelo governo e pela sociedade brasileira.

17 de junho de 2014

Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor (Ano A - 2014)

O corpo de Cristo é vida partilhada na mesa do mundo

O povo de Israel gostava de lembrar que Deus sempre dá o melhor de si. Ele alimenta o povo peregrino com a melhor farinha produzida pelo trigo e com o melhor mel oferecido pelas abelhas.  Por sua vez, as comunidades cristãs se rejubilam na experiência e no anúncio de que, em Jesus Cristo, Deus assume definitivamente a fragilidade da carne humana. E proclamam que Deus tem corpo feito de carne e sangue, amor e vulnerabilidade, que sua carne é verdadeiro alimento que sacia todas as fomes, e seu sangue é bebida que desaltera todas as sedes.
Aprendemos na catequese e continuamos acreditando que a comunidade cristã é o corpo vivo que tem Cristo como cabeça. Paulo sublinha que somos um corpo porque partilhamos de um único pão, e que, num corpo vivo os membros são solidários: quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, os demais participam de sua alegria; e os membros mais frágeis são os que necessitam de maior cuidado e proteção.
A festa do Corpo de Cristo quer nos lembrar enfaticamente que Deus tem um corpo, e que este corpo é o nosso corpo individual, mas principalmente o corpo da comunidade, formado por homens e mulheres que dão o melhor de si pela Igreja, e ainda por pessoas acostumados ao sofrimento e que nem sempre estão em nossas celebrações e festas. O corpo de Deus é este corpo composto de membros livres e diferentes, mas unidos no mesmo espírito, na mesma dor e no mesmo sonho.
Este é um dos sentidos mais profundos da Eucaristia: compartilhar o mesmo pão na mesa eucarística nos compromete a viver a solidariedade e a comunhão com o corpo vivo de Cristo, com todos os membros, sem exceção,começando pelos últimos, aqueles nos quais Jesus disse que estaria presente; beber do mesmo cálice leva a comungar com o sangue de Cristo que circula nas veias daqueles que ele elegeu como irmãos, inclusive com o sangue dos mártires, reconhecidos ou não.
Porém, estamos tão acostumados a participar da missa e ‘receber a comunhão’ que, ouvindo Jesus Cristo dizer que é Ele “o pão vivo que desceu do céu”, fazemos um grande esforço para crer que ele está presente naquela partícula de pão que chamamos hóstia. Nossos olhos teimam em ver somente pão, e então nos esforçamos para ver ali o próprio Cristo. Com isso esquecemos que a primeira e mais decisiva passagem não é do pão para Cristo, mas de Cristo para o pão!
Jesus fala de sua vida em termos de carne e sangue, e estas palavras sublinham, ao mesmo tempo, a concretude de sua vida histórica e a vulnerabilidade que compartilha com todos os seres humanos. Os discípulos acham isso difícil demais... A questão decisiva é reconhecer as ações e opções concretas de Jesus Cristo, sua comunhão solidária com a humanidade sofredora, como algo que motiva e sustenta, como um caminho que vale a pena ser continuado.
Mas para muitas pessoas isso não faz sentido nenhum. Pensam que é irrelevante ou impossível que Deus tenha assumido a carne humana. Isso não as toca, não as alimenta, não mexe com elas. Entretanto, as palavras de Jesus Cristo são claras: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.” O pão do céu se fez carne e terra, se oferece como alimento para aqueles que têm fome e sede de justiça. É a humanidade de Jesus que sacia nossa fome e nossa sede!
Jesus Cristo dá o melhor e tudo de si  para que o mundo tenha vida. É para isso que ele se fez carne e se oferece como verdadeira comida e sangue servido como verdadeira bebida. A Ceia Eucarística que celebramos comunitariamente pretende ser sacramento – sonho e caminho! – de uma vida plena para todos. Por isso, a Eucaristia está longe de ser uma prática religiosa privada e misteriosa, repetida unicamente para cumprir uma lei ou para salvar individualmente a própria a alma.
Deus Pai e Mãe, que nos alimentas com o melhor do trigo e com o mel que sai da rocha. Queremos celebrar a ceia do teu Filho, memória e esperança, com o coração agradecido e com os rins cingidos para o caminho que nos espera. Dá-nos teu Filho, Pão para a vida do mundo! Dá-nos teu Espírito, fogo de comunhão que regenera o mundo na comunhão sustentada pelo dom. Não somos dignos que entres em nossa casa, mas diz uma Palavra e recuperaremos a dignidade e a liberdade, e assim viveremos a verdadeira comunhão. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

(Deuteronômio 8,2-3.14-16 * Salmo 146 (147 B) * Primeira Carta Aos Coríntios 10,16-17 *João 6,51-58)

13 de junho de 2014

Artigo: Copa: entre joio e trigo

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

A Copa do Mundo começou e a sorte está lançada. É hora de um jogo que envolve a sociedade inteira e, por isto mesmo, lhe dá a oportunidade de tratar de maneira nova, adequada, a realidade sociopolítica e cultural. Uma ocasião que deve ultrapassar a natural euforia própria e inevitável do futebol, tornando-se força popular para empurrar o país na direção de reformas urgentes. Durante e após a Copa, é preciso cultivar uma nova consciência social e suscitar um desejo mais apurado de participação. As manifestações de junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, inauguraram esse momento novo, em que um megaevento esportivo não se limitou ao aspecto futebolístico e aos espetáculos, mas também envolveu suas incidentes dimensões políticas, culturais e sociais.

Está oferecida à sociedade brasileira a oportunidade de exercitar, durante um mês, sua indispensável capacidade de avançar na vivência da cidadania, sem privar-se da alegria, da beleza, da arte e da força própria de um esporte, fugindo das alienações facilmente encobertas por entusiasmos superficiais. Um avanço urgente quando se considera os incontáveis descompassos da sociedade brasileira, que contracenam com conquistas e progressos insuficientes para nos definirmos como nação civilizada.
A parábola do joio e do trigo, contada por Jesus na educação de seus discípulos e narrada pelo evangelista Mateus, deve ser lembrada para que a Copa do Mundo no Brasil se torne, efetivamente, um impulso novo, de ordem política e social. O Mundial evidencia ainda mais as fragilidades da sociedade brasileira e a consequente exigência de respostas adequadas. Esse evento está retratando um Brasil onde crescem juntos o joio e o trigo. Há uma lamentável semeadura de coisas ruins quando se considera a enorme lista de inadequações e contratempos de nossa realidade sociopolítica. A sociedade está emoldurada pelos fracassos de improvisações, de promessas não cumpridas, de gastos exorbitantes, de favorecimentos negociais que prejudicam o povo, particularmente os mais pobres.
O trecho bíblico conta que o dono da colheita rejeitou a proposta dos seus experientes colaboradores de logo arrancar o joio, para que apenas o trigo crescesse. Parece um contrassenso, se for considerado que o joio impede o crescimento saudável do trigo. Mas, na parábola, alerta o dono: “Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita”. Uma simples aplicação da parábola ao contexto da Copa do Mundo, emoldurado pelos acontecimentos políticos e sociais destas últimas décadas, na oportunidade do ano eleitoral, mostra que é hora de colheita e, consequentemente, de esforço desmedido para erradicação do joio. Uma ação forte que precisa do entusiasmo popular.
Essa força do povo se manifestará em cada estádio, com aplausos, vibração, silêncios de protesto, testemunhos de civilidade. Também pelas ruas e em muitos lugares, paróquias e outros ambientes, com gestos concretos de cidadãos, como a adesão efetiva ao abaixo-assinado que possibilitará a tramitação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política. Demanda que é urgente, mas depara-se com a inércia do Congresso Nacional. Registrar o nome e o título de eleitor no abaixo-assinado é um meio de trabalharmos para a erradicação do joio que se manifesta nos discursos políticos, nas organizações que nadam em cifras bilionárias, nos abismos que separam ricos e pobres. O contexto atual da sociedade brasileira é oportuno para um salto em busca do saneamento das instituições e a construção de um novo país. É hora de qualificar, ainda mais, o “discurso das ruas”, para que a política não seja um balcão de negócios, com inescrupulosas barganhas que tomam bens da coletividade como se fossem particulares ou de segmentos privilegiados. Que a mais significativa vitória nesta Copa seja o fortalecimento de nossa capacidade para mudanças, com a sabedoria para separar o joio do trigo.

Festa de São João Batista - 2014

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1 de maio de 2014

Festa de São José Oparario

Na carpintaria de José, Deus se fez trabalhador!
Um princípio do ensino social da Igreja afirma que “só o trabalho produz riqueza”. Por conseguinte, os bens de produção ou de consumo que circulam no mundo trazem a impressão digital dos trabalhadores e trabalhadoras e o seu acúnulo nas mãos de poucos significa expropriação ou roubo. Celebrar a importância do trabalho é reconhecer a dignidade dos trablhadores e trabalhadoras e reivindicar seu direito de participar da mesa que suas mãos prepararam. Se na gruta de Belém a Palavra se faz carne, na carpintaria de José, o próprio Deus se faz trabalhador.
Podemos imaginar Jesus entrando nas sinagogas da Galiléia. Na região ele era conhecido pelo trabalho que exercia: como seu pai José, era carpinteiro e assim ganhava a vida. Mas esse trabalho, mesmo tendo uma importância inquestionável, não representava um limite para sua vida de pregador. Agora ele se apresentava como missionário itinerante, ensinando uma doutrina que ele chamava de Boa Notícia: o tempo de espera terminara e o reinado de Deus estaria chegando gratuitamente como vida em abundância para todos. Ele ensinava uma ‘nova lição’...
Mateus nos diz que os conterrâneos e familiares de Jesus estavam admirados, exatamente como as multidões que testemunharam a cura de dois cegos e um mudo (cf. Mt 9,34) ou como quando ele ameaçou e expulsou o mau espírito que impedia que um homem enxergasse e falasse (cf. Mt 12,23). As multidões se maravilhavam, e não conseguiam reduzir Jesus à profissão humilde e marginal do seu pai. Mas seus conterrâneos ficaram também desconcertados. Primeiro, pela a beleza e relevância daquilo que anunciava e ensinava. Depois, pela condição de humilde trabalhador, filho um simples carpinteiro e, como eles, habitante de uma região desprezada.
De fato, a missão que Jesus desenvolvia estava acima do que era esperado para o status de sua família. “De onde lhe vem esta sabedoria? Este homem não é o filho do carpinteiro?...” A questão mais difícil não era reconhecer que o Filho de Deus tenha se apresentado como carpinteiro, mas aceitar que um carpinteiro comum se dissesse Filho de Deus. Muitos ainda hoje preferem imaginar José com lírio e não com ferramentas de trabalho nas mãos. E gostam de contemplar Jesus com um pergaminho ou um cajado, mas jamais uma foice ou uma enxada!
O motivo principal do escândalo é o próprio Deus: para ele, a encarnação não é uma possibilidade mas uma necessidade. O amor procura formas concretas para se expressar. Os princípios gerais não bastam. Como ensina o amável poeta e profeta Dom Pedro: na gruta de Belém Deus se faz carne; na carpintaria de José, Deus se faz classe. Um homem que trabalha com as mãos é escolhido como pai e educador do Filho de Deus, também ele trabalhador.
A festa celebrada hoje é a oportunidade e o desafio para que a nossa fé passe dos princípios gerais e intransitivos aos compromissos práticos e arriscados: colocar-se ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras em suas justas lutas; empenhar-se na humanização do trabalho, especialmente daqueles que ainda hoje degradam quem os faz; comprometer-se com o aumento das vagas de trabalho; defender a criação de vagas de trabalho para os idosos e jovens; lutar contra a flexibilização dos direitos trabalhistas; e assim por diante.
Paulo nos recomenda: “E tudo o que vocês fizerem através de palavras ou ações, o façam em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus por meio dele... Tudo o que vocês fizerem, façam de coração, como quem obedece ao Senhor e não aos homens” (Col 3,17.23). Evidentemente, não se trata de um sentimento piedoso ou de uma resignação ao peso do trabalho explorado. Paulo insiste numa atitude fundamental: fazer do trabalho a expressão do melhor de nós mesmos e um meio de criar vínculos solidários entre os homens e mulheres.
Deus e pai, tu quisestes que o pai do teu filho fosse operário em Nazaré. Celebrando a festa de São José Operário, te pedimos: faz crescer em nós a consciência de que entregaste o mundo em nossas mãos; que imaginaste o mundo como um belo jardim, farto, plural e harmônico e deste-nos inteligência e capacidade para cuidar dele; e nos colocastes como teus representantes e executivos na tarefa de guardar, cultivar, multiplicar e distribuir os frutos da terra mediante o trabalho. Bendito sejais por esta confiança. Ajuda-nos a sermos criativamente fiéis e responsáveis. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf
(Gênesis 1,26-2,3 * Salmo 88 (89) * Carta aos Colossenses 3,14-24 * Mateus 13,54-58)

27 de abril de 2014

Papa Francisco canoniza João XXIII e João Paulo II

De acordo com informações da agência de notícias do Vaticano, VIS, meio milhão de pessoas assistiram hoje, 27, na Praça de São Pedro, à cerimônia de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, e cerca de trezentas mil acompanharam o evento pela telas gigantes distribuídas na cidade de Roma.
Estiveram presentes na cerimônia delegações oficiais de mais de cem países, mais de vinte chefes de Estado e personalidades do mundo da política e da cultura.
O papa emérito Bento XVI concelebrou com o papa Francisco, que antes de proceder ao rito da proclamação dos novos santos, dirigiu-se a Bento XVI para abraçá-lo.
Logo após, acompanhado do prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, e dos postuladores das causas, o papa Francisco pronunciou a fórmula de canonização: “Em honra à Santíssima Trindade para exaltação da fé católica e crescimento da vida cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos  Pedro e Paulo e a nossa, Depois de haver refletido profundamente, invocando muitas vezes a ajuda divina e ouvido o parecer de numerosos irmãos no episcopado, declaramos e definimos santos os beatos João XXIII e João Paulo II e os inscrevemos no Catálogo dos Santos, e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo”.
Após a leitura do Evangelho, Francisco proferiu a homilia, que segue abaixo, na íntegra:

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
II Domingo de Páscoa (ou da Divina Misericórdia), 27 de abril de 2014
No centro deste domingo, que encerra a Oitava de Páscoa e que São João Paulo II quis dedicar à Misericórdia Divina, encontramos as chagas gloriosas de Jesus ressuscitado.
Já as mostrara quando apareceu pela primeira vez aos Apóstolos, ao anoitecer do dia depois do sábado, o dia da Ressurreição. Mas, naquela noite – como ouvimos –, Tomé não estava; e quando os outros lhe disseram que tinham visto o Senhor, respondeu que, se não visse e tocasse aquelas feridas, não acreditaria. Oito dias depois, Jesus apareceu de novo no meio dos discípulos, no Cenáculo, encontrando-se presente também Tomé; dirigindo-Se a ele, convidou-o a tocar as suas chagas. E então aquele homem sincero, aquele homem habituado a verificar tudo pessoalmente, ajoelhou-se diante de Jesus e disse: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).
Se as chagas de Jesus podem ser de escândalo para a fé, são também a verificação da fé. Por isso, no corpo de Cristo ressuscitado, as chagas não desaparecem, continuam, porque aquelas chagas são o sinal permanente do amor de Deus por nós, sendo indispensáveis para crer em Deus: não para crer que Deus existe, mas sim que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. Citando Isaías, São Pedro escreve aos cristãos: «pelas suas chagas, fostes curados» (1 Ped 2, 24; cf. Is 53, 5).
São João XXIII e SãoJoão Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo.
Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria.
Nestes dois homens contemplativos das chagas de Cristo e testemunhas da sua misericórdia, habitava «uma esperança viva», juntamente com «uma alegria indescritível e irradiante» (1 Ped 1, 3.8). A esperança e a alegria que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos, e de que nada e ninguém os pode privar. A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até à náusea pela amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos Papas receberam como dom do Senhor ressuscitado, tendo-as, por sua vez, doado em abundância ao Povo de Deus, recebendo sua eterna gratidão.
Esta esperança e esta alegria respiravam-se na primeira comunidade dos crentes, em Jerusalém, de que falam os Atos dos Apóstolos (cf. 2, 42-47), que ouvimos na segunda Leitura. É uma comunidade onde se vive o essencial do Evangelho, isto é, o amor, a misericórdia, com simplicidade e fraternidade.
E esta é a imagem de Igreja que o Concílio Vaticano II teve diante de si. João XXIII e João Paulo II colaboraram com o Espírito Santo para restabelecer e atualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhe deram os santos ao longo dos séculos. Não esqueçamos que são precisamente os santos que levam avante e fazem crescer a Igreja. Na convocação do Concílio, São João XXIII demonstrou uma delicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado, guiado pelo Espírito. Este foi o seu grande serviço à Igreja; por isso gosto de pensar nele como o Papa da docilidade ao Espírito Santo.
Neste serviço ao Povo de Deus, São João Paulo II foi o Papa da família. Ele mesmo disse uma vez que assim gostaria de ser lembrado: como o Papa da família. Apraz-me sublinhá-lo no momento em que estamos a viver um caminho sinodal sobre a família e com as famílias, um caminho que ele seguramente acompanha e sustenta do Céu.
Que estes dois novos santos Pastores do Povo de Deus intercedam pela Igreja para que, durante estes dois anos de caminho sinodal, seja dócil ao Espírito Santo no serviço pastoral à família. Que ambos nos ensinem a não nos escandalizarmos das chagas de Cristo, a penetrarmos no mistério da misericórdia divina que sempre espera, sempre perdoa, porque sempre ama.

29 de março de 2014

Assembleia Provincial dos MSF em Patu

Durante o período de 22 a 27 de março de 2014, o Santuário Nossa Senhora dos Impossíveis em Patu/RN, acolheu os Missionários da Sagrada Família em Assembleia Provincial, com a participação do Superior  Geral Pe. Edmund Michalski, MSF e Assistente Geral, Pe. Bogdan Mikutra, MSF. O encontro religioso e administrativo teve a missão de recepcionar o Pe. Itacir Brassiani msf para conduzir a Província Setentrional do Brasil.
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19 de março de 2014

Neste Domingo - 5ª Romaria dos Vaqueiros

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Oração do Terço de São José

19 de Março festejamos São José, para aqueles que são devotos deve rezar o terço ao glorioso São José.
Reza-se o credo!
Nos pai nossos (Meu glorioso São José nas vossas aflições e atribulações o anjo não vos valeu, valei-me São José)
Nas Ave Maria ( São José valei-me) e no final reza essa oração.
Meu celeste padroeiro, de cujo nome me glorio.
São José, meu pai e senhor que foste fiel guardião do filho de Deus e sua santíssima mãe, a virgem Maria.
Concedei-me do senhor, a graça de ter um espírito reto e um coração puro e casto para servir sempre melhor a Jesus e a virgem Maria.
Rogai a Deus sempre por mim confirmando-me na fé, fortalecendo-me na virtude e defendendo-me dos perigos a fim de que possamos vencer o inimigo maligno e mereça conseguir a gloria eterna assim seja. Amém.
Te amamos São José.


Enviado pela coordenação do Terço das Mulheres da Paróquia de Patu

12 de março de 2014

Projeto de Revitalização e Recuperação do Complexo Turístico e Religioso do Santuário

Com mais de 90 anos de história de fé, os Missionários da Sagrada Família desenvolve um trabalho de evangelização e de cuidados pastorais em Patu e em especial no Santuário Nossa Senhora dos Impossíveis, desde do Pe. Henrique Spitz,msf (in memorian) ao Pe. George Lourenço, msf a casa da Mãe dos Impossíveis passa por melhorias e adequações para melhor acolher e fortalecimento da fé.
Está em reforma a casa centenária dos religiosos, graças ao esforço dos romeiros e devotos vindo de tantos recônditos do país e  do mundo. Louvado seja Deus pela generosidade e presteza dos amigos do Santuário do Lima. Deus abençoe a todos e a cada um. Seja um amigo benfeitor do Santuário.
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Fotos: Adison Araújo

5 de março de 2014

Missa da Quarta-feira de Cinzas no Santuário

Na manhã desta quarta-feira (05), foi celebrada a missa de encerramento dos retiros de carnaval da RCC e ECC. O período forte da Campanha da Fraternidade é a quaresma, que inicia na quarta-feira de cinzas e termina na Semana Santa. O convite é a conversão em vista de uma melhor vivência do evangelho. É o que expressamos no momento da imposição das cinzas, quando o ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”! O tema da Campanha da Fraternidade 2014: Fraternidade e Tráfico Humano, neste tempo todos os cristãos/católicos são convidados a prática da ORAÇÃO, JEJUM e CARIDADE. 
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Fotos: Raniery Alves e Mirlânio Cortez

4 de março de 2014

Quaresma - Caridade, Oração e Jejum

A palava “Quaresma” vem do latim “Quadragesima”, em referência ao “quadragésimo dia” antes da Páscoa. Nos idiomas de origem germânica, são utilizados derivados do termo “Lencten” (primavera).
Nos idiomas provenientes do Latim, o termo para designar este tempo de preparação para a Páscoa é “quadragesima”. Por exemplo, em espanhol é “Cuaresma”, em português, “Quaresma”, em francês, “Carême”, e em italiano, “Quaresima”.
Nos idiomas de origem germânica, incluído o inglês (“Lent”), o nome dado à Quaresma vem de “Lencten”, que significa “primavera”.
O sacerdote australiano do Opus Dei John Flader, em seu livro "Question Time: 140 questions and answers on the catholic faith" (“Hora das perguntas: 140 perguntas sobre a fé católica”), escreve que o termo “Quaresma” se refere à estação em que o Hemisfério Norte se prepara para a Páscoa e que acontece na primavera.
Ainda que isso não ocorra no Hemisfério Sul, onde esse sacerdote australiano mora, ele observa que “este continua sendo um termo apropriado, pois, se a Quaresma for bem vivida, ela representa uma verdadeira primavera, um novo crescimento na vida espiritual”.
“Santo Agostinho – acrescenta – escreveu que o tempo da Quaresma simboliza esta vida presente na terra, com suas adversidades e tribulações, e que o tempo da Páscoa simboliza a alegria da vida futura.”
A observância de um período de oração, jejum e esmola como preparação para a Páscoa remonta à época dos Apóstolos, ainda que, durante os primeiros séculos, se limitasse somente a poucos dias.


O Pe. Flader observa que São Leão Magno (440-461) dizia sobre a Quaresma que “foi instituída pelos Apóstolos” e que a Tradição sustenta que “sempre foi vivida com uma maior atenção à vida de oração, jejum e esmola”.

“Nos primeiros três séculos, o tempo de jejum se limitava a alguns dias, uma semana quando muito”, afirma o sacerdote. “A primeira menção aos 40 dias foi no concílio ecumênico de Niceia (325), mas no final do século IV o costume havia se estendido amplamente, tanto no Oriente como no Ocidente.”

Com relação à determinação da duração da Quaresma – 40 dias –, o sacerdote explica que se refere aos “40 dias de jejum e oração que Cristo passou antes do começo da sua vida pública”.

As igrejas do Oriente e do Ocidente contavam os dias da Quaresma de maneira diferente, pois no Oriente os fiéis eram eximidos de jejuar os sábados e domingos. Além disso, a Quaresma durava um total de 7 semanas.

O Ocidente, por outro lado, só os domingos eram isentos e a Quaresma durava 6 semanas. No entanto, dessa forma, os dias de jejum somavam apenas 36, não 40. “Foi no século VII – explica o Pe. Flader – que a Quaresma começou a ter seu início 4 dias antes, com a Quarta-Feira de Cinzas, de maneira que havia 40 dias de jejum, como na atualidade.”
A Igreja sempre manteve a tradição de jejuar e fazer abstinência durante a Quaresma, mas as normas se modificaram ao longo dos séculos.

Segundo a pesquisa do Pe. Flader, as regras do jejum se tornaram muito estritas no século V: “Só se permitia uma refeição, no final da tarde. A carne não era permitida, nem sequer aos domingos. A carne e o peixe – e, em muitos lugares, os ovos e produtos lácteos – eram absolutamente proibidos”.

O sacerdote recorda que, nas igrejas orientais, ainda são seguidas regras similares: “Não podem comer vertebrados ou produtos derivados de vertebrados, isto é, nem carne, nem peixe, nem ovos, nem queijo, nem leite”.

No Ocidente, no entanto, as normas mudaram. No começo, era permitido um pequeno lanche, depois o peixe foi aceito e, finalmente, aceitou-se também a abstinência de carne apenas na Quarta-Feira de Cinzas e às sextas-feiras. Além disso, os produtos lácteos também foram permitidos.

Atualmente, os católicos jejuam na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, abstêm-se de carne nestes dias e em todas as sextas-feiras da Quaresma. O jejum, como definem os bispos dos Estados Unidos, consiste em ter uma refeição completa e dois lanches.

25 de fevereiro de 2014

Programação do Lançamento da CF - 2014

Tema: “Fraternidade e Tráfico Humano”

Lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.

Em 2014, a Campanha da Fraternidade terá como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”, cujo lema será: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.
A escolha do tema surgiu com a proposta dos Grupos de Trabalhos de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e de Combate ao Trabalho Escravo, junto à Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e a entidades ligadas à Pastoral da Mobilidade Humana.
A situação do tráfico humano no país e no mundo é alarmante: a Organização Internacional do Trabalho (OIT) atenta para o aumento de vítimas do tráfico humano, do trabalho forçado e do tráfico para a exploração sexual. De acordo como site da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, o tráfico de pessoas faz cerca de 2,5 milhões de vítimas por ano, incluindo homens, mulheres e crianças, mas principalmente pessoas vulneráveis e carentes – psicologicamente e de recursos.

24 de fevereiro de 2014

Natal do Pe. Jean Berthier ms

“Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter...”

Pia Batismal do Pe. Berthier, em Chatonnay
Há 174 anos, no dia 24 de fevereiro de 1840, nascia, em Châtonnay (Isère, França), Jean Berthier. Primeiro filho do casal Marie Putaud e Pierre Berthier, Jean tornar-se-ia Missionário de Nossa Senhora da Salette (1862), escritor e pregador muito conhecido (publicou em em torno de 40 livros, alguns traduzidos em até oito línguas, e pregou retiros e missões populares em dezenas de dioceses da França!) e, mais tarde, fundador dos Missionários da Sagrada Família (1895).

Todos sabemos que nossa vida não pode se resumir em recordar aquilo que se foi, por mais que ninguém possa esquecer impunemente que o passado deixa marcas vivas e suscita dinamismos no presente. Mas as visitas ao passado servem para identificar raízes e, mais ainda, para suscitar e alimentar sonhos que, projetados no futuro, iluminem e orientem o presente. Por isso, recordo o nascimento do nosso Fundador com o desejo de acolher e dar vida ao sonho dele e nosso.

Uma das principais marcas da vida e do ministério do Pe. Berthier é sua atenção a todos dos grupos de pessoas. Ainda jovem, com 23 anos de vida, escreveu um livro para ajudar as mães cristãs na sua vocação específica e na tarefa de educar os filhos numa perspectiva cristã. E depois não parou mais: escreveu livros direcionados aos jovens, às jovens, aos homens, às crianças, aos vocacionados, aos religiosos e religiosas, aos padres... E não cansava de insistir: uma missão nunca será frutífera se deixar em segndo plano os homens e as crianças...

Uma segunda marca desta vida plena de espírito evangélico e amor pela Igreja é a paixão pela formação à vida religiosa e missionária. A este ministério o Pe. Berthier dedicou quase três décadas de sua vida. Para dar carne e sangue a esta paixão, quis conhecer novas experiências, ousou tomar iniciativas inéditas, situou-se ao lado e no nível dos formandos, partilhou com eles os trabalhos, mesmo os mais duros, fez-se tudo para todos... E sem esquecer o acompanhamento sério e competente de outras pessoas na realização da própria vocação.

Quando jovem diácono da diocese de Grenoble, Berthier sentiu-se seduzido pela vida religiosa, assim como lhe foi mostrada na pequenez e simplicidade da nascente comunidade dos Missionários Saletinos. Mais tarde, ressoou no seu grande coração os contundentes apelos do Papa Leão XIII, que sacudiam a Igreja e pediam um novo despertar missionário. Mesmo sem jamais ter pisado uma “terra de missão”, em todas elas palpitou o coração inquieto do Pe. Berthier. E ele não descansou enquanto não reuniu em torno de si um grupo de jovens missionários.

Aos 55 anos de idade, e mesmo sem contar com uma saúde robusta, Berthier deixou sua França amada e refugiou-se na Holanda, então um oásis do catolicismo, para realizar seu sonho de formar missionários para oferecer à Igreja. Sendo já autor de dezenas de livros, sua bagagem não passava de um pequeno baú e uma sacola. Esta simplicidade que impressionou um cardeal seu amigo prosseguiu e amadureceu em Grave, onde, até à morte (1908) dividiu com seus discípulos o refeitóro, o dormitório, o trabalho, a sala de estudos, a pobreza e os sonhos, tudo...

Serão estas apenas “marcas do que se foi”, como diz a conhecida canção que entoamos no final do ano? Ou serão também traços dos “sonhos que vamos ter”, da utopia que orienta nosso caminhar, quase dois séculos depois? De minha parte, creio que a atenção às necessidades e possibilidades de cada pessoa e grupo, a paixão pelas missões, a busca de uma pedagogia inovadora, a simplicidade e a proximidade em relação ao povo, são preciosos elementos na consolidação da vida cristã, religiosa e apostólica também no tempo que se chama hoje.

Itacir Brassiani msf

23 de fevereiro de 2014

Abertura do Mirante do Santuário

Está aberto mais um ponto de encontro familiar e social no Santuário do Lima Patu, trata-se do mirante localizado com vista à barragem e a entrada da Rampa de Voo Livre. Aberto todos os domingos servindo lanches em geral e almoço. Visite-nos!
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Fotos: Raniery Alves

Último Domingo de Fevereiro/2014 - 7º Domingo do Tempo Comum

12 de janeiro de 2014

Tempo do Natal - Batismo de Jesus

A compaixão é o cumprimento de toda a justiça
Local onde Jesus foi batizado, no rio Jordão
O hábito batizar as crianças logo que nascem não pode obscurecer nossa inteligência e nos levar a esquecer que o batismo pregado e realizado por João Batista não gozava de estima junto às autoridades religiosas. Esta prática não lhes parecia ortodoxa. Tinha conotações de insubordinação e de inovação claramente inaceitáveis, claramente contrárias aos interesses e à doutrina do templo. A festa do batismo de Jesus nos ajuda a compreender mais claramente o sentido deste rito cristão.
Os doutrores da lei ensinavam que os incontáveis pecados do povo ignorante suscitava a ira de Deus, que havia fechado o céu e encerrado sua comunicação com a humanidade. O povo estava acostumado aos anúncios ameaçadores e à violência simbolizada na quebra da cana rachada e na extinção da frágil luz das velas... A lei judaica dizia que só o templo e seus agentes autoizados, mediante sacrificios e holocaustos, poderia lavar culpas e perdoar pecados.
João Batista ousa contrariar estas prescrições e práticas. Proclama que Deus não cobra nada para perdoar, e anuncia que a água abundante do rio Jordão lava as culpas que pesam sobre as costas dos mais pobres. Pede que se aproximem todos aqueles/as que desejam endireitar as estradas da própria vida e da sociedade, que querem “verter” sua vida noutra direção e reestabelecer a justiça. Como os três magos mostraram claramente no natal, João Batista recorda, muitos anos depois, que caminhos da graça de Deus n­ão passam necessariamente por Jerusalém e pelo templo...
Uma multidão de gente cansada e abatida, vergada sob o peso de uma canga de leis e condenações, acorre a João num lugar perdido à beira do rio Jordão. Gente humilde e humilhada, pobre e empobrecida, ignorante e ignorada, anônima e taxada de pecadora. Gente com fome de tudo: de pão, de justiça, de beleza, de graça, de acolhida, de cidadania. Todos os habitantes de Jerusalém, da Judéia e da região do rio Jordão saem à procura do profeta de hábitos simples e palavras exigentes.
Já adulto e prestes a assumir sua missão pública, Jesus deixa a Galiléia e vai à procura de João Batista em meio a essa gente, anônimo, na mesma fila, com os mesmos sentimentos. Ninguém percebe nada de diferente. Como tantos/as outros/as, também ele deseja endireitar caminhos, nivelar colinas, eliminar desníveis. Ele quer chamar o centro para a periferia e a periferia para o centro e preparar um povo bem disposto.
João pressente nessa atitude algo radicalmente novo, uma atitude que lhe parecia em desacordo com as práticas usuais. Percebe que está em curso uma inversão revolucionária. “É eu que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Mas o Batista descobre que a justiça não pode ser realizada parcialmente. A encarnação de Deus deve atingir a humanidade em sua dimensão mais profunda: ele entra na fila dos pecadores de todos os tipos, se confunde e identifica com eles.
De muitos modos, especialmente na sua solidariedade com os excluídos, Jesus Cristo manifestou ao mundo acompaixão de Deus, sua incrível capacidade de padecer-com, de assumir o lugar dos últimos, das vítimas. Mas é também exatamente por isso que, no seu batismo, a voz do Pai diz que este filho é também a expressão mais profunda e gloriosa da sua complacência, do seu prazer, da realização plena do seu ser. Deus não é apenascompaix­ão mas também complacência!
Por que o Pai ama e se agrada do Filho? Porque Jesus passa no mundo fazendo o bem, mostrando que Deus não discrimina pessoas ou religiões. E faz isso assumindo o caminho do serviço, o papel de Servo. Ele revela a paternidade de Deus recriando os vínculos que irmanam a todos, começando pela acolhida dos últimos. Bem diferente do porta-voz que, anunciando os terríveis decretos do rei, simbolicamente quebrava uma cana e apagava uma vela...
Deus querido, Pai e Mãe dos homens e mulheres que aceitam o desafio de renascer da água e do Espírito, do sonho e da Palavra: te agradecemos porque nos acolhes como filhas e filhos amados, como servos e servas deste povo que amas. Conserva-nos no caminho do teu Filho, para que sejamos o próximo de uma gente que se sente cana vergada e pavio que se esvai. Faz de todos/as os/as batizados/as fator de aliança dos fracos, instrumento de justiça para quem está perto e quem está longe. E não nos deixes cair na tentação de uma justiça parcial ou superficial. Assim seja! Amém!


Pe. Itacir Brassiani msf

(Isaías 42,1-7 * Salmo 28 (29) * Atos dos Apósatolos 10,34-38 * Mateus 3,13-17)

10 de janeiro de 2014

Romaria de São Sebastião 2014 - Paulista/PB à Patu/RN


Presépio Natalino do Santuário estará exposto até o fim deste mês


O artista plástico Ricardo Veriano, responsável pela produção do Presépio Natalino do Santuário do Lima, nos informou que o mesmo ficará exposto até o dia 30 deste mês.

Segundo Ricardo, milhares de pessoas que ao longo do mês de dezembro visitaram o Santuário, puderam contemplar a simbologia do natal através da arte exposta no presépio, mas muitas pessoas ainda não tiveram a oportunidade de ver de perto a reprodução do cenário natalino.

De acordo com o artista, o ouro representa a realeza do menino, que se manifesta em seu amor, o incenso é o perfume agradável da oração, sinal do sacerdócio e da divindade do menino.  A mirra é uma erva que serve de remédio para curar feridas, é também usada nos ritos funerários. No presépio ela recorda a dor e a cruz que Jesus deverá enfrentar para a cura de nossas feridas.

No cenário podemos ver com perfeição não só as figuras do Menino Jesus na sua manjedoura, mas também de Maria sua mãe e José, além dos bois, ovelhas, estrelas, anjos, luz, presentes, onde cada símbolo representa algo ligado à vida”, disse Ricardo.

Origem

O 1º presépio foi montado por São Francisco de Assis, na cidade de Greccio, Itália em 1223. O santo ecologista queria que o presépio representasse a humildade, a pobreza e a convivência do nascimento de Jesus descritos por Isaías, Mateus, Lucas e João.
        
Visite o presépio - Cenário do Santuário do lima, versão 2013, assinado pelo artista plástico voluntario RICARDO VERIANO

O Tema : DEUS ESCOLHE AQUILO QUE NO MUNDO É FRACO PARA CONFUNDIR OS FORTES E O QUE É DESPREZADO PARA EXALTAR.( 1COR1,21)

Artesão convidado: RAIMUNDO DE BIA.
Cenotécnicos:  NÚBIA LOPES, SANDRO, LILÍ, AROLDO, LÉO E ADELSON.
Iluminação: JEAN
Registro Fotográfico: Andison Araújo e Bruno Campelo
Realização Santuário do Lima/Reitor Padre George Lourenço,MSF
Fonte da reportagem: Blog do Campelo


APOIO CULTURAL

Dr. Getúlio Barbosa
Nova Casa (caroé)
Jaíza Tecidos
Auto Oeste (Daniel Rocha)

Alexsandra Soares (Sandra de Resenildo)