3 de setembro de 2014

DEFENDER A NOSSA IGREJA - Pe. Zezinho, scj

Se alguém ofende a nossa Igreja e nos alteramos, ofendendo a dele, negamos o Cristo. O mundo não ficará melhor com isso, já sabemos aonde leva essa conversa...

Aquele senhor que, visivelmente alterado, defendia a Igreja Católica errou do começo ao fim. Não conhecia a catequese dos santos e, tentando provar que nós católicos somos a melhor Igreja, praticamente afirmou que nós adoramos Maria. Não era a pessoa indicada para defender a nossa Igreja. Mostrou que nunca lera o catecismo católico. 

Seu oponente não era melhor. Errou nas datas e nos fatos históricos. Ouvira algum pregador da sua nova Igreja e falou como quem o ouviu, mas não leu os livros que ele disse ter lido. Acusou os católicos de terem matado 10 milhões de evangélicos na Alemanha no tempo de Lutero e culpou o general Inácio de Loyola de haver massacrado os huguenotes na Inglaterra. Foi triste e inquietante ouvir os dois naquele restaurante. Mais triste ainda ver que os presentes à mesa aceitavam tudo passivamente, como se alta cultura fosse. Parecia discussão de corintiano e palmeirense. Um se vangloriando das vitórias do passado, outro exaltando as atuais conquistas do seu time, ambos rindo dos erros do outro e cada um explicando e justificando esta ou aquela eventual derrota do seu timaço.

Diálogo sereno − Não somos obrigados a ficar em silêncio quando alguém ofende a nossa mãe, mas não se resolve o problema chamando a mãe do outro de prostituta ou leviana. Moleques fazem isso, cristãos, nunca! Se alguém ofende a nossa Igreja e nos alteramos, ofendendo a dele, negamos o Cristo. O mundo não ficará melhor com isso. Já sabemos aonde leva essa conversa de demônios do lado de lá e anjos do nosso lado, eleitos e rejeitados, santos e ímpios e salvos e perdidos. 

Quando ensinamos que os nossos fiéis estão salvos e os fiéis deles precisam ser convertidos, já começou a mentira. As guerras de fundo religioso começaram com esse tipo de pregação exclusivista e excludente; em geral, também presunçosa e recheada de vaidade. “Nós sabemos mais, entendemos melhor a Bíblia, seguimos melhor o Cristo, amamos mais a Deus, somos mais eleitos e, por isso, Deus está mais conosco do que com vocês que ainda não o conhecem!”. Quem já não ouviu esse tipo de pregação no rádio e na televisão? Não são ingênuos nem ignorantes. Quem faz esse discurso sabe por que o faz e aonde quer chegar. Sabe por que diminui a Igreja do outro e que pontos fracos dela escolheu ressaltar. Sabe também por que oculta os pontos fracos da sua e omite as passagens bíblicas que poderiam dar razão à outra Igreja! 

A melhor forma de defender a nossa Igreja naquela hora é dar um sorriso amigo e mudar de assunto. Quando aquele irmão de outra fé quiser de fato dialogar, a gente vai para algum canto onde um mostra para o outro as passagens do livro santo nas quais se baseia e os livros nos quais aprendeu o que pratica. Mas como faremos isso, se não lemos nem a Bíblia nem o catecismo da nossa Igreja? Neste caso, o melhor é despedirmo-nos cortesmente e desejarmos que a mesma luz que ele quer que nos ilumine não acabe por cegá-lo!
Pe. Zezinho, scj
Fonte: Família Cristã 921 - Set/2012
Inserido por: Família Cristã

Reforma urgente!

Desde sua construção a cozinha da Casa de Retiro e Pousada do Santuário N. Sra Dos Impossíveis, não tinha passado por reformas, contudo na última semana o piso cedeu parcialmente do referido ambiente, comprometendo as outras partes da cozinha. Amigo devoto, romeiro contamos com você nessa campanha de restauração e zelo pelo Santuário da Mãe dos Impossíveis - patrimônio da fé.
Procure a secretaria do Santuário deixando materiais de construção ou deposite valores em conta bancária.
DADOS DA CONTA BANCÁRIA:
Agência: 1365-X
Conta Corrente: 19.680 - 0
Banco do Brasil

Your image is loading...

Romaria da Legião de Maria - 2014

Clique para ampliar 

27 de agosto de 2014

VOCAÇÃO: Entrevista com as Catequistas Aldenízia e Rita Dalvací

Site: Como foi o chamado para serem catequistas?
Catequista: Nosso chamado foi por termos ingressado em grupos de jovens, e através do grupo surgiu o convite sendo este aceito. (JOCAP e Santa Terezinha)
Site: Como iniciou sua história na Catequese?
RitaInicie catequizando nos bairros. Não eram as crianças que vinha a capela, as catequistas iam até as famílias.
Aldenízia Comecei auxiliando uma catequista na Capela Santa Terezinha.
Site: Quais as maiores dificuldades nesta missão?
Catequista: A perseverança das crianças na Igreja, após a 1ª Eucaristia.
Site: Quais as suas melhores recordações? E os desafios?
Catequista: Uma dentre tantas boas recordações, a realização de uma turma de cem catequisandos. E o desafio é que eles permaneçam no caminho da fé.
Site: Que mensagem você deixaria aos demais catequistas.
Catequista: Ser Catequista é bom demais! É uma missão de todos nós servir a Deus e a comunidade.
Site: O que gratifica em ser um missionário catequista?
Catequista: É saber que estamos cumprindo com o nosso dever de cristãs, transmitindo a palavra de Deus.
Site: Seu convite para os que a vocação de catequista surja na comunidade.
Catequista: Aqueles que sentirem este chamado acolham-no em seu coração e junte-se a nós nesta linda missão.


 Dia do Catequista, Patu-RN, 31 de agosto de 2014.
Aldenízia Câmara e Rita Dalvaci
Catequistas da Paróquia de Patu/RN.

20 de agosto de 2014

Imagens da Retiro Espiritual dos MSF

Semana de 18 a 22 de agosto de 2014,  Retiro Espiritual dos Missionário da Sagrada Família, província setentrional do Brasil em Arcoverde/PE.
Your image is loading...


17 de agosto de 2014

VOCAÇÃO: Entrevista com Ir. Juliana sobre a Vocação a vida Religiosa

Site: Como devemos considerar a Vida de uma pessoa Consagrada a Deus?
Irmã: É uma entrega total e incondicional por amor ao Reino.
Site: É certo que a Irmã se identifica com sua ordem religiosa. Como é ser religiosa em sua congregação?
Irmã: É uma alegria pra mim ser religiosa do Instituto Religioso Nova Jerusalém cujo o carisma é a Palavra de Deus pois sempre acreditei que a bíblia é um tesouro para a nossa igreja pois não é apenas Palavra, mas ação criadora e salvadora do universo. Por isso, a Nova Jerusalém acredita encontra na Bíblia, e somente lá, resposta adequada para a nova evangelização do mundo.
Site: A vida religiosa é difícil? É uma vida de muito sacrifício?
Irmã: É uma vida de renúncias, mas quem renunciar por amor vive realizado.
Site: Poderia dizer algo sobre a devoção a Nossa Senhora?
 Irmã: Maria é modelo do sim para todas as vocações. Pois ela vez a vontade do Pai.
Site: A Irmã poderia falar do convívio numa comunidade? São anos a fio de convivência... e com pessoas muito diferentes entre si.
Irmã: A vida comunitária pra mim é quando os irmãos se prestarão serviço uns aos outros, com alegria, atenção e carinho. No entanto, fique tudo sem infantilismo ou sentimentalismo exagerado, que prejudicariam o crescimento sadio e adulto de uma verdadeira vida fraterna.
Site: Por força de sua missão, a Irmã tem um contato grande com as pessoas diversas e fica sabendo de muita coisa. Então, Juventude e desagregação familiar. O que a Irmã diz disso?
Irmã: Precisamos falar e  testemunhar mais o grande amor de Deus para as família , crianças, jovens e adultos.
Site: Sua mensagem aos jovens que têm anseios vocacionais para a vida consagrada. 

Irmã: Jovens, Jesus continua chamando como está escrito no Evangelho de Mateus : Segui-me, eu farei de vós pescadores de homens .Mt.4,19.Venha se lança nesta aventura que é o reino de Deus.

Dia das vocações religiosas, Patu-RN, 17 de agosto de 2014.
Ir.Juliana Galeno Veras N.J.
Instituto Religioso Nova Jerusalém

Imagens da 5ª Romaria das Famílias - 2014

8 de agosto de 2014

VOCAÇÃO: Entrevista com José Bezerra sobre a missão de ser Pai

No centro José Bezerra de Assis e Dona Elizení com os filhos
Site: José Bezerra, você abraçou a vocação à paternidade, a ser família. O que você pode nos contar sobre essa experiência?
Pai: Considero o fator mais significativo do meu projeto de vida. O convívio harmonioso da vida conjugal; a construção do lar passo a passo; o nascimento e o crescimento dos 4 filhos; a determinação e a força para criá-los e educá-los com base na minha formação e a da minha esposa; as alegrias das crianças estando saudáveis e as preocupações quando adoeciam; o esforço para compreender as diferentes fases da infância, adolescência e juventude dos filhos; a felicidade ao vê-los bem sucedidos nos estudos sendo que 3 já têm profissão definida através da aprovação em concurso público. Esses pontos mencionados e outros mais, são efeitos que consolidam a minha vocação paterna.
Site: Ser pai é uma vocação difícil?
Pai: Sim. Assumir a paternidade por vocação, nos dá a consciência de que se deve ter coragem e força para encarar com responsabilidade e dedicação essa realidade. O relacionamento conjugal e a criação dos filhos diante dos constantes desafios que surgem no dia a dia, se constituem numa tarefa realmente difícil.
Site: Como superar momento difíceis em família?
Pai: É preciso insistir na construção contínua do lar, alicerçando-se sobretudo na união, na compreensão mútua e no amor. Esses são pilares que sustentam a família em todas as circunstâncias.
Site: Você dialoga com sua família?
Pai: Sim. Deus sempre concede-me essa capacidade de abertura e franqueza para ouvir a todos da família e conversar a fim de chegar a algum consenso diante das situações conflituosas.
Site: O que significa a vida em comunidade para você?
Pai: É a vida participativa e socializada em que há interesse pela conservação e crescimento do bem comum . É você indignar-se quando vê o outro sendo injustiçado e alegrar-se se percebe que o seu próximo está feliz.
Site: Além da vida em família, você é um homem comprometido com a vida da comunidade paroquial. Como você participa da paróquia?
Pai: Dentro das minhas limitações, participo de alguns movimentos e pastorais, com o interesse de servir a Deus e ao próximo, ajudando a evangelizar as pessoas.
Site: Sua mensagem  para os pais neste mês dedicado as vocações.
Pai: Você que é pai, sinta-se feliz e orgulhoso com essa função familiar que Deus lhe confiou. Ore sempre ao Senhor para desempenhar esse papel com responsabilidade, compromisso e sobretudo com amor. Juntamente com a esposa, se esforce e lute para serem bons parceiros e enfrentarem a realidade conjugal e familiar com discernimento, dando bons exemplos aos filhos. Apesar dos perigos constantes que o mundo de hoje apresenta para as famílias, não se dobrem aos desejos espúrios dessa sociedade desumanizada. Mantenham a fé em Jesus e com perseverança procurem oferecer para seus filhos o melhor: a educação e a boa formação cristã.

Dia dos Pais, Patu-RN, 10 de agosto de 2014
José Bezerra de Assis
Professor, Poeta, Catequista e Pai

Campanha de Pintura das Igrejas do Santuário do Lima

Durante a Missa do 18º Domingo do Tempo Comum, na  Igreja térrea do Santuário, o Padre George Lourenço, msf reitor lançou a Campanha pela pintura das Igrejas do Santuário, convidando a todos os patuenses, romeiros, devotos e turistas a contribuírem em manter o brilho e a beleza da Casa da Mãe dos Impossíveis. Qualquer dúvida e contribuição o devoto/romeiro procurar o Pe. George, msf,  Frater Thiago Luz,msf e Pe. Américo Leite,msf.
Clique para ampliar

Semana Paroquial das Famílias de Patu/RN


Vocação sacerdotal

Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo diocesano de Caratinga
Quando falamos sobre vocação, evidentemente, a reflexão implica um sentido mais amplo da palavra, já que vocação é um chamado que todos nós sentimos; todos somos vocacionados dentro de uma realidade concreta, pessoal e comunitária, de acordo com nossas aptidões e inclinações naturais. Entretanto, dentro do universo religioso, como é o nosso caso de Igreja Católica, essas aptidões e inclinações naturais são vistas sobre o aspecto sobrenatural como um chamado de Deus. Deus nos chama a partir do que sentimos por dentro e do que vemos por fora. Assim vocação é sinônimo de inclinação para o sacerdócio, à vida religiosa  ou a um ministério (serviço) pastoral. Aqui gostaríamos de levar em conta a vida sacerdotal, sobre a qual gostaríamos de fazer duas observações.
A primeira consideração é que graças a Deus muitos jovens estão ouvindo e procurando atender o chamado de Cristo. Não obstante a sociedade secularizada, podemos observar com alegria, jovens sedentos de Deus e da proposta de Jesus que continua chamando e nos desafiando para lançar nossas redes em águas mais profundas. Só para citar um exemplo, o nosso último encontro vocacional foi marcado pela presença de doze jovens sedentos de Deus e muito interessados na proposta de uma vida sacerdotal. E tem mais: são jovens, são trabalhadores e livres na decisão. Estão procurando o seminário por causa de uma reflexão vocacional e isto é muito importante. De sorte que o encontro vocacional realizado no dia 07/06 próximo passado foi uma grande bênção.  
A segunda consideração é sobre a proposta que a Igreja apresenta aos jovens que desejam o ministério sacerdotal. Antes de qualquer outra coisa é necessário que o jovem vocacionado tenha a liberdade para seguir Jesus. Sem liberdade não existe amor verdadeiro, e por consequência, não existe vocação verdadeira. Portanto, é bom que fique claro, Jesus nos chama, mas a resposta é pessoal e livre. Qualquer motivação à vida sacerdotal que ferir a liberdade no seguimento de Jesus (falta de opção, frustração com o mundo, interesses ou status) deve ser revista. A Igreja, seguindo as orientações do Senhor, deseja homens livres para a missão, pastores com cheiro do rebanho e instrumentos da misericórdia.
Aproveito a oportunidade para convidar os jovens que desejam fazer a experiência de um encontro vocacional (quem sabe para ajudar no discernimento) para participarem do próximo encontro promovido pela Diocese, que será realizado no Seminário Propedêutico São José, em Ubaporanga, no dia 20/09/14. Este encontro será para jovens que já concluíram ou estão cursando o último ano do ensino médio. Pedimos ainda aos jovens interessados, que entrem em contato com o padre de sua paróquia ou com reitor do Seminário Propedêutico (Tel. (33) 3323-1092).
Que o Senhor da messe e Pastor do rebanho nos ilumine e nos faça perseverantes na vocação que Ele mesmo nos concedeu. Amém!

5 de agosto de 2014

VOCAÇÃO: Entrevista ao Padre George Lourenço, MSF

Site:  Como surgiu o desejo de ser Padre?
Padre: Esse Desejo, ou melhor, a vocação, surgiu já na infância. Não consigo encontrar o dia e a hora, mas o local. Foi na comunidade em meio aos louvores a Santa Mãe de Deus que o chamado foi se dando, à medida que o tempo ia transcorrendo,  a vontade crescia e desejo de fazer mais pelo Reino de Deus e a junto com ela. A comunidade foi o local do encontro, do chamado, é na comunidade que temos uma oportunidade ímpar de nos encontrar com o Senhor da nossa vida.
Site: Em relação a sua família, como ela acolheu sua decisão?
Padre: Foi em casa que recebi os fundamentos da fé. Tive o privilégio de ter minha mãe como primeira catequista, foi ela que com muita paciência me ensinou a chamar a Deus de Pai e a Nossa Senhora de Mãe. Contudo, encontrei em minha casa, a princípio, algumas resistências que ao passar dos dias foram se desfazendo.
Site: Quais os desafios de ser vocacionado a vida sacerdotal nos dias de hoje? O que lhe motiva?
Padre: Os desafios são muitos e podemos identificá-los comparando alguns valores que norteiam a vida do sacerdote e o projeto apresentado pela sociedade hoje. Para o sacerdote aentrega total e irrestrita pelo Reino de Deus se contrapõe ao egoísmo cultivado em larga escala, onde o que interessa é o projeto do indivíduo e não um projeto comum onde todos podem ter vida e vida em plenitude.  A busca exagerada pelo prazer imediato e individual como finalidade da vida, hedonismo, é um grande desafio para o Sacerdote, nossa caminhada aqui nesta realidade é feita de alegrias e tristezas, de morte e ressurreição.  É preciso morrer para viver, a semente precisa entregar-se a terra para germinar e num futuro dar muitos frutos.
Me motiva perceber no horizonte a esperança, saber que podemos nadar contra a maré para construirmos uma terra nova sem tantas exclusões. Anima-me saber que aquele que me chamou estará comigo até ao fim do mundo na alegria e nos sofrimentos, fazendo crescer as poucas sementes que por ventura eu venha a semear.   
Site: Por quê a escolha de servir a congregação dos Missionários da Sagrada Família ao invés de ser Diocesano?
Padre: Depois de ter refletido muito sobre o ser ou não ser padre, surgiu outra pergunta: Onde iniciar o processo formativo? Confesso que foi complicado a princípio, depois de muitas visitas a congregações e até em algumas dioceses me identifiquei com a Missão dos Missionários da Sagrada Família. Nesta Congregação posso servir a Deus de forma ampla, indo desde o apostolado paroquial até as mais diversas frentes de trabalho entre os excluídos da sociedade, os que estão longe de tudo.  É importante salientar aqui, que a escolha por uma congregação religiosa está intimamente ligada a vocação de cada um, sou vocacionado a vida missionária e não a vida diocesana ou ao apostolado só para os enfermos, por exemplo. Na Igreja cada congregação tem sua importância e seu papel na construção do Reino de Deus e cada vocacionado é chamado a assumir o seu lugar dentro desse Reino.
Site: Há quanto tempo serve a Igreja em paróquia, comunidades e que avaliação você faz de sua caminhada Sacerdotal?
Padre: Bom, como sacerdote há poucos meses, como religioso a cinco anos. Mas estou inserido na Igreja de forma ativa desde os dez anos de idade, sempre envolvido com algum grupo ao projeto eclesial. Minha avaliação de minha curta caminhada como sacerdote é que vale apena abraçar essa Missão, sou feliz pelo que sou e faço.
Site: Sua mensagem aos jovens nesse mês dedicado as vocações.
Padre: Abracem a vocação! Respondam ao chamado de Deus, seja ele qual for, pois a nossa felicidade está em sermos aquilo a que somos chamados, nisso consiste o sucesso.  Não tenham medo aquele que nos chama está conosco até ao fim do mundo.

Dia do Padre, Patu(RN) 04 de agosto de 2014.
Pe. George Lourenço dos Santos, msf

1 de agosto de 2014

Agosto é mês vocacional

A Igreja convoca todos os anos um mês especial para intensificar as orações e ações em favor das vocações. O mês de agosto foi instituído na Igreja, como mês vocacional, na Assembléia Geral dos Bispos, no ano de 1981, com objetivos bem definidos:
·        Criar consciência vocacional em toda a Igreja, mostrando que todas as pessoas são chamadas pela Trindade a serem “discípulos missionários”.
·        Enfatizar "que todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações" (Papa João Paulo II. Pastores Dabo Vobis 41, 2).
·        Privilegiar um tempo na Igreja para uma evangelização mais direta sobre o mistério da vocação na Igreja.
·        Responder ao mandato de Jesus: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da messe que envie mais trabalhadores para a colheita" (Mt 9,37-38).

Assim o mês vocacional deve ser assumido por toda a Igreja, na suas mais diversas instâncias, ou seja, por todas as pessoas, dioceses, paróquias, comunidades, grupos, pastorais, movimentos... É um verdadeiro “mutirão em prol das vocações”. Tem umaoperacionalidade bem definida, tendo presente as seguintes comemorações:
  • 1º domingo: Motivado pela festa de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos padres, no dia 04 de agosto e a de São Lourenço, diácono, no dia 10, no primeiro domingo celebramos a Vocação ao Ministério Ordenado, ou seja, as vocações presbiterais e diaconais.
  • 2º domingo: Motivado pelo dia dos pais, celebramos a vocação familiar, o chamado a ser pai, ser mãe, o chamado a gerar a vida humana. Na segunda semana se celebra a Semana da Família.
  • 3º domingo: Motivado pela festa da Assunção de Nossa Senhora, no terceiro domingo celebramos o dia da vocação à vida consagrada que são as vocações religiosas, missionárias, como também a vocação de pessoas consagradas nos Institutos Seculares, recordando os vários chamados de Deus neste sentido, sejam para a vida contemplativa nos mosteiros, seja para vida ativa nas várias frentes pastorais e evangelizadoras da Igreja.
  • 4º domingo: No quarto domingo, quando há só 4 domingos no mês, é o dia dos catequistas, os pedagogos da fé, destacando a relação da vocação com a missão de anunciar a Palavra de Deus. Quando há 5 domingos no mês, o quarto domingo é o dia dos ministérios leigos, destacando a disponibilidade para o serviço na comunidade e o papel do leigo no mundo. Daí o dia do catequista passa para o 5º domingo, pois foi estabelecido ser celebrado sempre o último domingo do mês de agosto.

Vocação

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre
Escreveu o Papa Francisco: “A vocação é fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor de uns aos outros, que se faz serviço recíproco, no contexto de uma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si”.
Todos nós desejamos uma vida bem vivida. Almejamos uma vida com sentido. Nossas buscas, projetos e sonhos se sustentam a partir de um horizonte de vida sólido. A pergunta, talvez, sempre necessária, é: o que significa uma vida, uma existência com sentido? A partir de onde se encontra sentido para a própria vida? Aqui certamente se expressa o nobre, digno e necessário serviço junto, especialmente, a nossos adolescentes de orientar, dialogar e auxiliar; afinal, perceber qual o caminho de vida que vem ao encontro das tendências, dotes e mesmo necessidades pessoais, nem sempre é tarefa fácil.
Uma história, pertencente à tradição hebraica, pode auxiliar na compreensão dos desafios característicos quanto à necessidade de realizar uma opção de vida. Diz a história: “Um certo rabi procurou seu mestre, suplicando-lhe: ‘Indicai-me um caminho universal para o serviço a Deus’. O mestre respondeu: ‘Não se trata de dizer ao homem qual caminho deve percorrer, porque existe uma estrada por meio da qual se segue a Deus por meio do estudo, outra, por meio da oração, e outra, por meio do jejum, e ainda outra comendo! É tarefa de cada homem conhecer bem a direção de qual estrada o atrai, o próprio coração e depois escolher aquela estrada com todas as forças’”.
A pessoa humana é única. Possui uma tarefa intransferível. Cada ser humano é convocado a testemunhar sua irrepetibilidade. Para isso, se faz necessário o conhecimento de si mesmo, das próprias qualidades e tendências essenciais. Considerando esse conjunto de elementos, é possível sondar um caminho de vida.
A escolha de um caminho de vida requer muito mais que a opção por uma determinada profissão. Profissão tem a ver com preparação técnica, competência, eficiência produtiva, ganha-pão, função social, status, reconhecimento externo. Tudo isso pressupõe decisão pessoal, realização, chamado interior, paixão, amor e gosto pelo que se faz, ou seja, pressupõe vocação. Assim, retomando a história da tradição hebraica, pode-se perceber que o “serviço de Deus” requer muito mais que somente profissionalismo. Exige escuta do próprio coração, para conhecer bem a direção de qual estrada ele o atrai.
A vocação se orienta eminentemente para um futuro. Ela se realiza, sim, no presente, mas orientada para um futuro. Por isso, pode-se afirmar que vocação é uma tarefa em constante realização. Da profissão, nos aposentamos. Já aquilo que denominamos vocação perpassa todas as fases da existência.
A escuta do próprio coração requer sintonia, escuta, disposição para acolher aquilo que a vida solicita. Escuta e compreende tal solicitação quem cultiva a afeição, a cordialidade, o amor, o respeito pela própria condição. Para nós, cristãos e cristãs, a condição é de filhos e filhas, seguidores e seguidoras do Senhor, caminho, verdade e vida.
Jesus – caminho, verdade e vida – percorria as cidades e aldeias... Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como um rebanho de ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,35-38).
Oxalá possamos cooperar para que homens e mulheres, especialmente os adolescentes e jovens, saibam e possam corresponder à vocação recebida, e serem no mundo cooperadores do Senhor na construção do Seu Reino!

13 de julho de 2014

Imagens da 2ª Romaria do Terço das Mulheres

Lições da Copa

Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares (PE)
Envolvendo países de diversos Continentes, desde 1930, realiza-se a Copa do Mundo que sempre foi vista como um evento que promove o congraçamento entre as nações. Com efeito, ao longo dos tempos, o futebol vem se revelando como o “esporte das multidões”. De fato, entre essas multidões, há pessoas e grupos realmente que amam o seu clube e beijam a camisa de seu time, apaixonadamente. Hoje a crônica jornalística identifica, entre estes, muitos casos de paixão doentia, basta que se analise o quadro de violência, em muitos países e cidades, nos estádios e arredores, nas vias públicas e nos transportes coletivos. Trata-se de uma doença social, com registro de mortes, de sequelas físicas em pessoas e de prejuízos públicos.
Sediar a Copa do Mundo é uma aspiração de muitos países, em razão dos dividendos de natureza política, turística e financeira que são colhidos por seus patrocinadores; nessa direção, de conformidade com o calendário da Fifa, evidenciam-se a disputa para sediar a Copa, visível na mídia, e os interesses de um variado lobby que, por natureza, sempre é obscuro. De regra, no momento dessa definição, a população vê com “bons olhos”, com euforia, a realização da Copa em seu país. Por ter feito as démarches requeridas pela Fifa, o Brasil viu coroado de êxito o seu empenho, ao ser escolhido, em 2007, como país-sede da Copa de 2014, fato que trouxe alegria à população. Todavia, com o “andar da carruagem”, segmentos da população foram fazendo sua leitura a respeito do evento, diante das suas muitas implicações, e começaram a se posicionar, de forma mais crítica. Assim, no contexto da abertura da Copa, conforme Pesquisa do Ibope, “Metade da população brasileira é a favor da realização da maior competição do futebol mundial no Brasil: 51% versus 42% que são contra”. Nessa leitura criteriosa, o ítem “custos financeiros” pesou muito, diante de muitas necessidades da população que deveriam ter prioridade, ao serem formuladas as políticas públicas, no âmbito municipal, estadual e federal.
A CNBB, entre muitas instituições da sociedade, se pronunciou a esse respeito: “Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções. O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência.”
A Copa do Mundo deixa lições que devem ser examinadas, responsavelmente, por quem a promoveu, pelos países que dela participaram e, de maneira especial, pelo governo e pela sociedade brasileira.

17 de junho de 2014

Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor (Ano A - 2014)

O corpo de Cristo é vida partilhada na mesa do mundo

O povo de Israel gostava de lembrar que Deus sempre dá o melhor de si. Ele alimenta o povo peregrino com a melhor farinha produzida pelo trigo e com o melhor mel oferecido pelas abelhas.  Por sua vez, as comunidades cristãs se rejubilam na experiência e no anúncio de que, em Jesus Cristo, Deus assume definitivamente a fragilidade da carne humana. E proclamam que Deus tem corpo feito de carne e sangue, amor e vulnerabilidade, que sua carne é verdadeiro alimento que sacia todas as fomes, e seu sangue é bebida que desaltera todas as sedes.
Aprendemos na catequese e continuamos acreditando que a comunidade cristã é o corpo vivo que tem Cristo como cabeça. Paulo sublinha que somos um corpo porque partilhamos de um único pão, e que, num corpo vivo os membros são solidários: quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, os demais participam de sua alegria; e os membros mais frágeis são os que necessitam de maior cuidado e proteção.
A festa do Corpo de Cristo quer nos lembrar enfaticamente que Deus tem um corpo, e que este corpo é o nosso corpo individual, mas principalmente o corpo da comunidade, formado por homens e mulheres que dão o melhor de si pela Igreja, e ainda por pessoas acostumados ao sofrimento e que nem sempre estão em nossas celebrações e festas. O corpo de Deus é este corpo composto de membros livres e diferentes, mas unidos no mesmo espírito, na mesma dor e no mesmo sonho.
Este é um dos sentidos mais profundos da Eucaristia: compartilhar o mesmo pão na mesa eucarística nos compromete a viver a solidariedade e a comunhão com o corpo vivo de Cristo, com todos os membros, sem exceção,começando pelos últimos, aqueles nos quais Jesus disse que estaria presente; beber do mesmo cálice leva a comungar com o sangue de Cristo que circula nas veias daqueles que ele elegeu como irmãos, inclusive com o sangue dos mártires, reconhecidos ou não.
Porém, estamos tão acostumados a participar da missa e ‘receber a comunhão’ que, ouvindo Jesus Cristo dizer que é Ele “o pão vivo que desceu do céu”, fazemos um grande esforço para crer que ele está presente naquela partícula de pão que chamamos hóstia. Nossos olhos teimam em ver somente pão, e então nos esforçamos para ver ali o próprio Cristo. Com isso esquecemos que a primeira e mais decisiva passagem não é do pão para Cristo, mas de Cristo para o pão!
Jesus fala de sua vida em termos de carne e sangue, e estas palavras sublinham, ao mesmo tempo, a concretude de sua vida histórica e a vulnerabilidade que compartilha com todos os seres humanos. Os discípulos acham isso difícil demais... A questão decisiva é reconhecer as ações e opções concretas de Jesus Cristo, sua comunhão solidária com a humanidade sofredora, como algo que motiva e sustenta, como um caminho que vale a pena ser continuado.
Mas para muitas pessoas isso não faz sentido nenhum. Pensam que é irrelevante ou impossível que Deus tenha assumido a carne humana. Isso não as toca, não as alimenta, não mexe com elas. Entretanto, as palavras de Jesus Cristo são claras: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.” O pão do céu se fez carne e terra, se oferece como alimento para aqueles que têm fome e sede de justiça. É a humanidade de Jesus que sacia nossa fome e nossa sede!
Jesus Cristo dá o melhor e tudo de si  para que o mundo tenha vida. É para isso que ele se fez carne e se oferece como verdadeira comida e sangue servido como verdadeira bebida. A Ceia Eucarística que celebramos comunitariamente pretende ser sacramento – sonho e caminho! – de uma vida plena para todos. Por isso, a Eucaristia está longe de ser uma prática religiosa privada e misteriosa, repetida unicamente para cumprir uma lei ou para salvar individualmente a própria a alma.
Deus Pai e Mãe, que nos alimentas com o melhor do trigo e com o mel que sai da rocha. Queremos celebrar a ceia do teu Filho, memória e esperança, com o coração agradecido e com os rins cingidos para o caminho que nos espera. Dá-nos teu Filho, Pão para a vida do mundo! Dá-nos teu Espírito, fogo de comunhão que regenera o mundo na comunhão sustentada pelo dom. Não somos dignos que entres em nossa casa, mas diz uma Palavra e recuperaremos a dignidade e a liberdade, e assim viveremos a verdadeira comunhão. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

(Deuteronômio 8,2-3.14-16 * Salmo 146 (147 B) * Primeira Carta Aos Coríntios 10,16-17 *João 6,51-58)

13 de junho de 2014

Artigo: Copa: entre joio e trigo

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

A Copa do Mundo começou e a sorte está lançada. É hora de um jogo que envolve a sociedade inteira e, por isto mesmo, lhe dá a oportunidade de tratar de maneira nova, adequada, a realidade sociopolítica e cultural. Uma ocasião que deve ultrapassar a natural euforia própria e inevitável do futebol, tornando-se força popular para empurrar o país na direção de reformas urgentes. Durante e após a Copa, é preciso cultivar uma nova consciência social e suscitar um desejo mais apurado de participação. As manifestações de junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, inauguraram esse momento novo, em que um megaevento esportivo não se limitou ao aspecto futebolístico e aos espetáculos, mas também envolveu suas incidentes dimensões políticas, culturais e sociais.

Está oferecida à sociedade brasileira a oportunidade de exercitar, durante um mês, sua indispensável capacidade de avançar na vivência da cidadania, sem privar-se da alegria, da beleza, da arte e da força própria de um esporte, fugindo das alienações facilmente encobertas por entusiasmos superficiais. Um avanço urgente quando se considera os incontáveis descompassos da sociedade brasileira, que contracenam com conquistas e progressos insuficientes para nos definirmos como nação civilizada.
A parábola do joio e do trigo, contada por Jesus na educação de seus discípulos e narrada pelo evangelista Mateus, deve ser lembrada para que a Copa do Mundo no Brasil se torne, efetivamente, um impulso novo, de ordem política e social. O Mundial evidencia ainda mais as fragilidades da sociedade brasileira e a consequente exigência de respostas adequadas. Esse evento está retratando um Brasil onde crescem juntos o joio e o trigo. Há uma lamentável semeadura de coisas ruins quando se considera a enorme lista de inadequações e contratempos de nossa realidade sociopolítica. A sociedade está emoldurada pelos fracassos de improvisações, de promessas não cumpridas, de gastos exorbitantes, de favorecimentos negociais que prejudicam o povo, particularmente os mais pobres.
O trecho bíblico conta que o dono da colheita rejeitou a proposta dos seus experientes colaboradores de logo arrancar o joio, para que apenas o trigo crescesse. Parece um contrassenso, se for considerado que o joio impede o crescimento saudável do trigo. Mas, na parábola, alerta o dono: “Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita”. Uma simples aplicação da parábola ao contexto da Copa do Mundo, emoldurado pelos acontecimentos políticos e sociais destas últimas décadas, na oportunidade do ano eleitoral, mostra que é hora de colheita e, consequentemente, de esforço desmedido para erradicação do joio. Uma ação forte que precisa do entusiasmo popular.
Essa força do povo se manifestará em cada estádio, com aplausos, vibração, silêncios de protesto, testemunhos de civilidade. Também pelas ruas e em muitos lugares, paróquias e outros ambientes, com gestos concretos de cidadãos, como a adesão efetiva ao abaixo-assinado que possibilitará a tramitação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política. Demanda que é urgente, mas depara-se com a inércia do Congresso Nacional. Registrar o nome e o título de eleitor no abaixo-assinado é um meio de trabalharmos para a erradicação do joio que se manifesta nos discursos políticos, nas organizações que nadam em cifras bilionárias, nos abismos que separam ricos e pobres. O contexto atual da sociedade brasileira é oportuno para um salto em busca do saneamento das instituições e a construção de um novo país. É hora de qualificar, ainda mais, o “discurso das ruas”, para que a política não seja um balcão de negócios, com inescrupulosas barganhas que tomam bens da coletividade como se fossem particulares ou de segmentos privilegiados. Que a mais significativa vitória nesta Copa seja o fortalecimento de nossa capacidade para mudanças, com a sabedoria para separar o joio do trigo.

Festa de São João Batista - 2014

Clique para ampliar

1 de maio de 2014

Festa de São José Oparario

Na carpintaria de José, Deus se fez trabalhador!
Um princípio do ensino social da Igreja afirma que “só o trabalho produz riqueza”. Por conseguinte, os bens de produção ou de consumo que circulam no mundo trazem a impressão digital dos trabalhadores e trabalhadoras e o seu acúnulo nas mãos de poucos significa expropriação ou roubo. Celebrar a importância do trabalho é reconhecer a dignidade dos trablhadores e trabalhadoras e reivindicar seu direito de participar da mesa que suas mãos prepararam. Se na gruta de Belém a Palavra se faz carne, na carpintaria de José, o próprio Deus se faz trabalhador.
Podemos imaginar Jesus entrando nas sinagogas da Galiléia. Na região ele era conhecido pelo trabalho que exercia: como seu pai José, era carpinteiro e assim ganhava a vida. Mas esse trabalho, mesmo tendo uma importância inquestionável, não representava um limite para sua vida de pregador. Agora ele se apresentava como missionário itinerante, ensinando uma doutrina que ele chamava de Boa Notícia: o tempo de espera terminara e o reinado de Deus estaria chegando gratuitamente como vida em abundância para todos. Ele ensinava uma ‘nova lição’...
Mateus nos diz que os conterrâneos e familiares de Jesus estavam admirados, exatamente como as multidões que testemunharam a cura de dois cegos e um mudo (cf. Mt 9,34) ou como quando ele ameaçou e expulsou o mau espírito que impedia que um homem enxergasse e falasse (cf. Mt 12,23). As multidões se maravilhavam, e não conseguiam reduzir Jesus à profissão humilde e marginal do seu pai. Mas seus conterrâneos ficaram também desconcertados. Primeiro, pela a beleza e relevância daquilo que anunciava e ensinava. Depois, pela condição de humilde trabalhador, filho um simples carpinteiro e, como eles, habitante de uma região desprezada.
De fato, a missão que Jesus desenvolvia estava acima do que era esperado para o status de sua família. “De onde lhe vem esta sabedoria? Este homem não é o filho do carpinteiro?...” A questão mais difícil não era reconhecer que o Filho de Deus tenha se apresentado como carpinteiro, mas aceitar que um carpinteiro comum se dissesse Filho de Deus. Muitos ainda hoje preferem imaginar José com lírio e não com ferramentas de trabalho nas mãos. E gostam de contemplar Jesus com um pergaminho ou um cajado, mas jamais uma foice ou uma enxada!
O motivo principal do escândalo é o próprio Deus: para ele, a encarnação não é uma possibilidade mas uma necessidade. O amor procura formas concretas para se expressar. Os princípios gerais não bastam. Como ensina o amável poeta e profeta Dom Pedro: na gruta de Belém Deus se faz carne; na carpintaria de José, Deus se faz classe. Um homem que trabalha com as mãos é escolhido como pai e educador do Filho de Deus, também ele trabalhador.
A festa celebrada hoje é a oportunidade e o desafio para que a nossa fé passe dos princípios gerais e intransitivos aos compromissos práticos e arriscados: colocar-se ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras em suas justas lutas; empenhar-se na humanização do trabalho, especialmente daqueles que ainda hoje degradam quem os faz; comprometer-se com o aumento das vagas de trabalho; defender a criação de vagas de trabalho para os idosos e jovens; lutar contra a flexibilização dos direitos trabalhistas; e assim por diante.
Paulo nos recomenda: “E tudo o que vocês fizerem através de palavras ou ações, o façam em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus por meio dele... Tudo o que vocês fizerem, façam de coração, como quem obedece ao Senhor e não aos homens” (Col 3,17.23). Evidentemente, não se trata de um sentimento piedoso ou de uma resignação ao peso do trabalho explorado. Paulo insiste numa atitude fundamental: fazer do trabalho a expressão do melhor de nós mesmos e um meio de criar vínculos solidários entre os homens e mulheres.
Deus e pai, tu quisestes que o pai do teu filho fosse operário em Nazaré. Celebrando a festa de São José Operário, te pedimos: faz crescer em nós a consciência de que entregaste o mundo em nossas mãos; que imaginaste o mundo como um belo jardim, farto, plural e harmônico e deste-nos inteligência e capacidade para cuidar dele; e nos colocastes como teus representantes e executivos na tarefa de guardar, cultivar, multiplicar e distribuir os frutos da terra mediante o trabalho. Bendito sejais por esta confiança. Ajuda-nos a sermos criativamente fiéis e responsáveis. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf
(Gênesis 1,26-2,3 * Salmo 88 (89) * Carta aos Colossenses 3,14-24 * Mateus 13,54-58)