13 de dezembro de 2009

Feliz Natal, Jesus!
No dia 25 de dezembro, a sociedade ocidental convencionou comemorar o nascimento de Jesus. Decisão sensata, pois, se comemoramos o nascimento de nossos filhos, se vamos ao aniversário dos amigos e se, até mesmo, festejamos, ano após ano, o sucesso de um empreendimento ou de uma instituição, por que não fazê-lo com relação ao aniversário d’Aquele que é o nosso Mestre maior, nosso Modelo e Guia? O aniversário de Jesus deve, mesmo, ser comemorado. Há um aspecto dessa comemoração, no entanto, que nos parece não fazer sentido. Quando queremos comemorar o aniversário de alguém a quem amamos, procuramos sempre fazê-lo de modo a fazer esse alguém se sentir querido e feliz. Caso sejamos nós o aniversariante, por outro lado, esperamos de nossos amigos o mesmo que lhes damos quando é o aniversário deles. É um dia em que nos sentimos com direito a tudo, esperamos que todos façam de tudo para nos satisfazer, para agradar nossos sentidos, para nos fazer sentir importantes. No entanto, no aniversário de Jesus, nos comportamos de modo estranho. Em lugar de darmos presentes a Jesus, em lugar de fazermos de tudo para deixar o nosso Mestre feliz, agimos como se fosse o aniversário nosso e dos nossos parentes e amigos. Fazemos uma grande festa, comemos bem, bebemos do melhor, trocamos os melhores presentes e .... esquecemos por completo do aniversariante! Por que será que agimos assim? Será que nos falta saber qual é o presente que nosso Mestre espera de nós? Será que pensamos que Jesus, sendo o Senhor do Mundo, tem de tudo do bom e do melhor e que, assim sendo, não resta nada que lhe possamos dar? Ou será, apenas, porque nunca pensamos no assunto? É verdade que Jesus não carece de nada material. No entanto, quando comemoramos o aniversário de um ente querido, o que desejamos, mesmo, não é dar presentes a ele, mas fazê-lo feliz, não é mesmo? E será que ignoramos o que fazer para que Jesus se sinta feliz, para mostramos ao Mestre que o amamos? Para responder a essa pergunta, recorramos a uma das muitas maravilhosas falas do Mestre, pois ela, a nosso ver, tem a receita que procuramos:
“... Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. ... Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25: 31 a 40).
Festejemos, pois, o Natal como ele deve ser festejado. Não faz mal se trocarmos alguns presentes com os entes queridos. Afinal, faz parte dos costumes e não é necessário ir contra os costumes para festejar o Natal da forma correta. No entanto, que tenhamos em mente o tempo todo Quem é o verdadeiro aniversariante. Neste Natal, vamos para as ruas e levemos comida aos famintos e água aos que têm sede, apertemos, com afeto sincero, as mãos calejadas e sujas daqueles que carecem de carinho, entreguemos roupas limpas aos que andam em andrajos, visitemos os doentes e os que se encontram em detenção. Caso fazer tudo isso nos pareça muito, que façamos, pelo menos, uma ou duas dessas ações, mas as façamos oferecendo-as a Jesus como presente de aniversário, mesmo sabendo quão singelo é o presente para Aquele a quem tanto devemos. Jesus sabe que somos pequenos e não nos ama menos por isso. Assim, qualquer presente legítimo que Lhe for entregue será por ele recebido com amor, da mesma forma que uma mãe recebe, com carinho e emoção no olhar, o presente simples e rudimentar de seu filhinho, sabendo que aquilo é tudo o que seu pequeno tem para lhe oferecer. “Ah, mas com tantas pessoas lá em casa, como é que eu vou sair para levar comida para os pobrezinhos da rua? Tem uma prima que veio de outra cidade, um tio que eu só vejo no Natal.” Tudo bem. Jesus conhece nossas limitações e não espera de nós mais do que podemos Lhe oferecer. O que fazer, então, se nos falta a coragem de praticar a caridade cristã em sua forma ostensiva, como Jesus nos ensinou, de forma tão veemente? Sempre que nos acometem as dúvidas mais pungentes, a Doutrina Espírita nos socorre, qual farol potente a iluminar o rochedo ameaçador em noite escura de tempestade. Na Questão 886 de O Livro dos Espíritos, lemos:
“Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?” “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."
Se de todo nos achamos incapazes de sair às ruas neste Natal, levando aos necessitados um pouco de alegria e amor, que, pelo menos, saibamos nos comportar, ao longo do dia, como Jesus espera de nós. Sejamos tolerantes, pacientes, bondosos, prestativos e gentis com todos aqueles com quem encontrarmos no dia de Natal, seja em casa, nas ruas, nas lojas, nos locais de festa ou onde quer que for. Quanto mais difícil nos parecer agir dessa forma, melhor. Esforcemo-nos ao máximo para superar nossas limitações, pelo menos no dia de Natal. É o mínimo que podemos oferecer a Jesus como presente de aniversário. Que, ao longo deste Natal, sejam muitos os momentos em que possamos, satisfeitos com as nossas ações, pensamentos e palavras, dizer em nossa mente, de olhos fechados e com profundo sentimento no coração: “Feliz Natal, Jesus!”