5 de maio de 2011

CRESCER NO ECUMENISMO

O que muitos cristãos não sabem é que um muçulmano fiel não tem nada a ver com guerra santa. Jihad para ele significa “esforço”, “luta” “empenho de vida”. A guerra era um último recurso e só para se defender. Se vencessem seriam generosos com os inimigos. Uma das hadith (tradições) afirmava que Maomé, ao voltar de uma batalha que vencera, disse que agora começava a maior de todas: reformar a sociedade e o próprio coração. No livro de Karen Armstrong “ Em Defesa de Deus”, se lê à página 111, que quando Meca voluntariamente abriu as portas para não entrar em guerra, ninguém foi obrigado a adotar o islamismo e Maomé não tentou instaurar ali um Estado exclusivamente islâmico.
Diz ainda Karen Armstrong, historiando o islamismo, que nos primeiros cem anos posteriores à morte do Profeta, desencorajava-s a conversão ao islamismo, que era religião de árabes, descendentes de Ismael, o primogênito de Abraão, uma vez que os judeus são filhos de Isaac e o cristianismo é a dos seguidores de Jesus.
Mais tarde muçulmanos de outras convicções desobedeceram Maomé e praticaram a violência que Maomé não ensinou.

O que não se ensina é que, entre os judeus, havia conceitos de partilha e de renda mínima ou mínimo necessário; traduziam o judaísmo melhor do que qualquer outro preceito. Sobre eles discorre de maneira claríssima o excelente Jacques Attali no seu livro Os Judeus, O Dinheiro e o Mundo. 
O que muitos católicos não sabem é que quando um evangélico sincero se diz vencedor em Cristo não pensa em derrotar os outros e, sim, em vencer o pecado e a si mesmo. Mais tarde é que, movidos pelo marketing e pelo proselitismo desenfreado alguns neo-evangélicos começaram a falar em vitória sobre as outras igrejas.
O que muitos evangélicos não sabem é que os católicos são orientados por sua doutrina e por seus documentos oficiais a  respeitar outras religiões e a ver luz e graça de Deus em outros grupos cristãos. Não temos o direito de declarar que alguém vai para o inferno ou está nas trevas. O católico que faz isso andou lendo textos da Idade Média, mas nossa igreja evoluiu no diálogo ecumênico.
Jesus nem sempre é obedecido por católicos e evangélicos mais aguerridos que teimam em esquecer como ele tratou pessoas de outra fé e como dialogou, deixou falar, elogiou e acolheu.
Às vezes, 20 deles conseguem criar mal estar entre nações, ao praticar seu ato insano em nome de Deus. O ódio religioso atravessa séculos. E se não tivermos a coragem de nos aproximarmos levaremos milênios até descobrir que é o mesmo sol que brilha sobre catedrais, matrizes, mesquitas e sinagogas. Repitamos para não esquecer: o problema não é da luz nem é do céu: é de nossas janelas e portas trancadas e das cortinas e persianas que teimamos em cerrar para orarmos, só nós e só do nosso jeito ao Pai de todos, mas cujo colo ciosamente afirmamos ser é só nosso. Coisa de criança mimada e manhosa!
Se não crescermos, murcharemos!