8 de agosto de 2011

Entrevista ao Padre George Lourenço, MSF no mês das vocações

Blog:  Como surgiu o desejo de ser Padre?
Padre: Esse Desejo, ou melhor, a vocação, surgiu já na infância. Não consigo encontrar o dia e a hora, mas o local. Foi na comunidade em meio aos louvores a Santa Mãe de Deus que o chamado foi se dando, à medida que o tempo ia transcorrendo,  a vontade crescia e desejo de fazer mais pelo Reino de Deus e a junto com ela. A comunidade foi o local do encontro, do chamado, é na comunidade que temos uma oportunidade ímpar de nos encontrar com o Senhor da nossa vida.
Blog: Em relação a sua família, como ela acolheu sua decisão?
Padre: Foi em casa que recebi os fundamentos da fé. Tive o privilégio de ter minha mãe como primeira catequista, foi ela que com muita paciência me ensinou a chamar a Deus de Pai e a Nossa Senhora de Mãe. Contudo, encontrei em minha casa, a princípio, algumas resistências que ao passar dos dias foram se desfazendo.
Blog: Quais os desafios de ser vocacionado a vida sacerdotal nos dias de hoje? O que lhe motiva?
Padre: Os desafios são muitos e podemos identificá-los comparando alguns valores que norteiam a vida do sacerdote e o projeto apresentado pela sociedade hoje. Para o sacerdote a entrega total e irrestrita pelo Reino de Deus se contrapõe ao egoísmo cultivado em larga escala, onde o que interessa é o projeto do indivíduo e não um projeto comum onde todos podem ter vida e vida em plenitude.  A busca exagerada pelo prazer imediato e individual como finalidade da vida, hedonismo, é um grande desafio para o Sacerdote, nossa caminhada aqui nesta realidade é feita de alegrias e tristezas, de morte e ressurreição.  É preciso morrer para viver, a semente precisa entregar-se a terra para germinar e num futuro dar muitos frutos.
Me motiva perceber no horizonte a esperança, saber que podemos nadar contra a maré para construirmos uma terra nova sem tantas exclusões. Anima-me saber que aquele que me chamou estará comigo até ao fim do mundo na alegria e nos sofrimentos, fazendo crescer as poucas sementes que por ventura eu venha a semear.   
 Blog: Por quê a escolha de servir a congregação dos Missionários da Sagrada Família ao invés de ser Diocesano?
Padre: Depois de ter refletido muito sobre o ser ou não ser padre, surgiu outra pergunta: Onde iniciar o processo formativo? Confesso que foi complicado a princípio, depois de muitas visitas a congregações e até em algumas dioceses me identifiquei com a Missão dos Missionários da Sagrada Família. Nesta Congregação posso servir a Deus de forma ampla, indo desde o apostolado paroquial até as mais diversas frentes de trabalho entre os excluídos da sociedade, os que estão longe de tudo.  É importante salientar aqui, que a escolha por uma congregação religiosa está intimamente ligada a vocação de cada um, sou vocacionado a vida missionária e não a vida diocesana ou ao apostolado só para os enfermos, por exemplo. Na Igreja cada congregação tem sua importância e seu papel na construção do Reino de Deus e cada vocacionado é chamado a assumir o seu lugar dentro desse Reino.
Blog: Há quanto tempo serve a Igreja em paróquia, comunidades e que avaliação você faz de sua caminhada Sacerdotal?
Padre: Bom, como sacerdote há poucos meses, como religioso a cinco anos. Mas estou inserido na Igreja de forma ativa desde os dez anos de idade, sempre envolvido com algum grupo ao projeto eclesial. Minha avaliação de minha curta caminhada como sacerdote é que vale apena abraçar essa Missão, sou feliz pelo que sou e faço.
Blog: Sua mensagem aos jovens nesse mês dedicado as vocações.
Padre: Abracem a vocação! Respondam ao chamado de Deus, seja ele qual for, pois a nossa felicidade está em sermos aquilo a que somos chamados, nisso consiste o sucesso.  Não tenham medo aquele que nos chama está conosco até ao fim do mundo.

Dia do Padre, Patu(RN) 07 de agosto de 2011.
Pe. George Lourenço dos Santos, msf