25 de novembro de 2011

Algo sobre a história do Lima

Como vimos no capítulo anterior que o Superior Geral, Pe. Trampe, acompanhado por Pe. Nolte e Pe. Scholl, realizando visita canônica como estava prescrito por Roma, chegou a Serra Negra do Norte, no dia 1º de junho de 1.926. É importante lembrar que na época existiam na região, epenas estradas de terra. Acompanhemos a continuação do relato feito pelo próprio visitante.
Dia 3 de junho de 1.926 pelas 08 horas da manhã nos despedimos de Pe. Carlos e passamos o rio Sabugy. Depois de hora e meia de viagem, chegamos à comunidade São João do Sabugy onde fomos recebidos pelo Pe. Domingos Knurren. À tarde chegou o povo com músicas e flores para saudar o ilustre visitante. Nos discursos pronunciados pediram para não tirar o Pe. Domingos de lá. Dia 4, às 7 horas da manhã , deixamos São João do Sabugy. Pe. João nos acompanhou na passagem do rio. Entramos com coragem, mas o carro estancou no meio das águas. Dois homens ajudaram a tirar o carro. Em breve estávamos na estrada principal em direção a Natal. Inicialmente, viajávamos devagar devido aos buracos. Mas ao anoitecer, o motorista acelerou. Em seguida furou o pneu. Logo adiante outro e outro. Ficamos muito aflitos. Então Pe. Scholl decidiu tirar os pneus das rodas dianteiras e andar só no aro. Desta maneira conseguimos chegar a Santa Cruz, pela meia noite. Nos hospedamos num hotel, mas dormimos mal, de tão estressados que estávamos. Pela manhã do dia 5, celebramos missa na Igreja Matriz e reiniciamos a viagem com um carro alugado, rumo a Natal, onde chegamos às 2 horas da tarde. Pe. Scholl, após providenciar a colocação dos pneus, chegou a altas horas da noite.
Naquele ano de 1.926, pertenciam à comunidade religiosa do Lima: Pe. Francisco Scholz, superior e 2º administrador; Pe. José Scholl e irmão Boaventura; Pe. Toussaint, de Martins; Pe. Geraldo Van de Geld, de Portalegre; Pe. Domingos Knurren, de São João do Sabugy; Pe. Carlos Theisen, de Serra Negra do Norte. Cada mês todos se reuniam no Santuário para o "recolectio", um dia de retiro e de confraternização.
Por este relato, feito em alemão pelo próprio superior geral, se percebe o espírito de fé, daqueles missionários da Sagrada Família que haviam deixado sua terra de origem, Holanda, França e Alemanha, para virem trabalhar numa realidade totalmente adversa, cheia de desafios e dificuldades. Tais atitudes necessitam ser relembradas, pois contém valores sociais, morais e religiosos de imenso significado para os dias atuais.


Cidade de Serra Negra do Norte, visita canônica dos Missionários da Sagrada Família
Como também a cidade de São João do Sabugy
Percurso dificil enfrentado pelos missionários, como o Rio Sabugy
Por Silvano Schoenberger

Fonte: Blog A Folha Patuense