22 de novembro de 2011

Série Algo da história do Lima - Por Silvano Shoemberger

Pe. João Batista Berthier - Fundador da Congregação dos Missionários da Sagrada Família
Admirável Espírito Missionário
Hoje se torna difícil entender a situação precária em que se encontrava Patu na época da chegada dos Missionários da Sagrada Família. Vinham eles da Alemanha dispostos a trabalhar nas missões em qualquer país que fosse necessário. Essa motivação lhes foi transmitida desde o Seminário, em que eram estudados documentos do Fundador da Congregação Pe. João Batista Berthier. Incentivavam os padres a atuar pastoralmente naqueles recantos onde nenhum padre diocesano quisesse permanecer. Alguns, entre eles Pe. Antonio Schulte-Wrede, iniciaram as atividades na região amazônica. Dificuldades de adaptação ao clima e doenças constantes, fez com que se abrisse a perspectiva de trabalharem na Ribeira e no Alecrim em Natal. O superior Geral da Congregação, Pe. Antonio Maria Trampe, tinha sua residência em Grave na Holanda. Em 1922 decidiu fazer a primeira visita ao Brasil. Com a intenção de visitar Patu, embarcou no navio em Natal no dia 29 de julho rumo a Areia Branca. Lá chegando tomou o trem a Mossoró, onde chegou dia 30/07. No dia 07 de agosto, Pe. Luís Bechold, que morava em Mossoró desde 1918, se prontificou a levá-lo no Ford 1920. Saíram de Mossoró às 7 horas e chegaram a Patu às 5 horas da tarde. Buracos, pedras e dúvidas quanto ao caminho, fez com que levassem dez horas de viagem. Permaneceu no Lima, até 16 de agosto, dia em que viajou a cavalo em busca de Campo Grande para se encontrar com Pe. Jorge. Em 1926, o Superior Geral fez segunda visita ao Brasil. Dia 24 de maio viajou de trem até Lages, onde Pe. José Scholl o aguardava de carro. Às 17 h, seguiram viagem, mas após sete léguas, houve problemas com o carro. Pernoitaram na casa de um fazendeiro. Em Angicos tiveram dificuldades em atravessar o rio Assu. Em Assu tiveram que comprar dois pneus. À noite chegaram ao rio Upanema, onde o carro estancou. Em Campo Grande dormiram num depósito de algodão. Erraram o caminho em direção Caraúbas. Mais uma vez o carro apresentou problemas. Com carro alugado, chegaram às 15 horas do dia 27/05 em Patu, onde um farmacêutico lhes ofereceu coalhada e em seguida os deixou no pé da ladeira do Lima. Lá os esperava o então reitor Pe. Francisco Scholz com lote de burros para subir a vereda. Dia 31/05 o Superior Geral seguiu viagem para visitar Pe. Carlos Theisen em Serra Negra. Em Brejo do Cruz a água do rio cobriu o carro, molhando as roupas nas malas. Com muito esforço e ajuda seguiram, mas na passagem de outro rio novamente o carro estancou. As mala se encheram de água. Dúvidas em relação ao caminho. Em seguida, já a noite, perceberam ter chegado em Catolé do Rocha. Pernoitaram numa fazenda e no dia seguinte retornaram a Brejo do Cruz enfrentando vários rios e riachos. Após um sem número de peripécias, inclusive enfrentando o rio Piranhas, chegaram cansadíssimos em Serra Negra, às 15 horas, onde os aguardava o Pe. Carlos Theisen, abnegado missionário, até hoje lembrado, principalmente em Martins, onde dedicou a maior parte de sua vida, com muito amor à causa de Cristo e de seu Evangelho.
Durante as viagens dos missionários em nossa região os mesmos tiveram de atravessar riachos e rios como por exemplo o Rio Piranhas
Silvano Schoemberger

Fonte: Blog A Folha Patuense