27 de janeiro de 2012

Ano do Discipulado


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“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34).

O Ano do Discipulado que teve início no dia 20 de janeiro e será encerrado na Solenidade de Cristo Rei, portanto, em 25 de novembro deste ano.
Sendo assim, todo o Ano do Discipulado está compreendido no Ano Litúrgico B, no qual é lido nas missas o Evangelho de São Marcos, o que torna ainda mais oportuna a reflexão.
Chamados à comunhão
Dentro das temáticas principais do texto de Marcos, a identidade de Jesus e o discipulado, destaca-se o fato de que no primeiro chamado que faz aos seus discípulos, Cristo lhes oferece a possibilidade de conhecê-Lo mais intimamente, por meio de uma comunhão de vida. Chama para o Seu seguimento, para compartilhar tudo com Ele, a estar todo o tempo com Ele. 
“Somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: ‘quem é Jesus Cristo?’ (Mc 8,27-29). O que significa acolhê-Lo, segui-Lo e anuncia-Lo?” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DEGAE – 2011-2015, nº 4).
Assim, ao iniciar um caminho de discipulado, a pessoa começa um processo de instrução, que a faz compreender, quase que passo a passo, particularmente, a identidade de Jesus. E este é o maior presente que o Cristo oferece aos seus discípulos: a comunhão pessoal com Ele. A comunhão que traz a vida plena, que constrói a comunhão infinita e eterna na glória de Deus.
E como se faz essa comunhão hoje? Através de uma atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, que testemunhe que “Jesus Cristo é a nossa razão de ser, origem do nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir” (cf. DGAE, nº 4).
Testemunhas da misericórdia
Marcos apresenta em seu Evangelho a situação dos discípulos no primeiro momento do chamado: lentos para entender os ensinamentos de Jesus, fracos e incapazes de compreender a identidade do Mestre. Mas são os escolhidos, os resgatados.
O que isso significa? Que Jesus chama seus discípulos sem olhar para as categorias humanas, os chama como são, como estão, e trabalha com aquilo que são e que têm. Isso lhes possibilita ter uma experiência com a misericórdia de Deus, e os torna no mundo testemunhas dessa misericórdia.
Chamado pessoalmente por Cristo, convidado a uma vida de comunhão íntima com Ele e tendo como referência o acolhimento misericordioso do Mestre, o discípulo de Jesus deve assumir um estilo de “vida marcado pela acolhida à Palavra, pelo seguimento de atitudes misericordiosas e de sua vida de oração e de intimidade com o Pai Celeste” (Hugo O. Martinez A., “O Discipulado no Evangelho de Marcos”).
Doação total de vida
Marcos apresenta o caminho do discipulado como exigente: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). 
O discipulado de Cristo exige doação total de si, a exemplo do Mestre, que deu a vida por todos os homens. Doação total de si significa doação da vida toda, de todo o coração, de toda a pessoa.
Não há, no seguimento de Jesus, lugar para o medo, para o egoísmo, para o individualismo. O discípulo deve enfrentar os seus medos, pois seu caminho é de cruz e ressurreição. “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salva-la-á” (Mc 8, 35).
Não há como ser discípulo de Cristo e ser escravo do medo. O medo paralisa e por isso conduz a morte eterna, pois impede a aproximação com Jesus, que é o verdadeiro doador da vida eterna.
O discípulo, portanto, precisa ser um homem de fé, que não teme se aproximar do Mestre e seguir seus ensinamentos. É alguém que se aproxima de Jesus não com mera curiosidade, mas com desejo de viver como Ele viveu, com confiança e amor, com desejo de experimentar a Sua misericórdia e receber a salvação.
Chamados a uma nova família
“Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Aquele que faz a vontade de Deus; esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 35). O discipulado inaugura um novo estilo de vida, marcado por uma nova família, que não é determinada por laços de sangue, mas pela fé no Cristo e seu seguimento: a comunidade eclesial.
Como membro de uma família que tem Deus como centro e fundamento, o fiel assume atitudes responsáveis, consigo, com o próximo e com o meio ambiente. E nesta família há lugar para todos: “o discipulado de Jesus tem uma característica inclusiva, ou seja, neste grupo cabemos todos. Portanto, é importante pensar na dimensão missionária da Igreja, que não marginaliza nenhum grupo humano: indígenas, etnias, pobres, fracos, ricos, migrantes etc” (Hugo O. Martinez A., “O Discipulado no Evangelho de Marcos”).
Andréia Gripp

Fonte: www.radiocatedral.com.br