16 de março de 2012

Poeta Zé Bezerra Lança seu 3º Livro neste Sábado (17/03)

O professor, catequista e poeta José Bezerra de Assis vai lançar no próximo sábado [17/03] o seu 3º livro de poesias. Teares de Versos é o título da nova obra literária e cultural do poeta. O lançamento do livro Teares de Versos ocorrerá juntamente com a programação alusiva ao dia da poesia que será comemorado pela Prefeitura Municipal de Patu através da Secretaria Municipal de Cultura.

Dia: 17/03/2012.
Local: Câmara Municipal de Patu
Horário: 19 horas.
Todos são convidados. 
   
 Entrevista ao Jornal O Mossoroense em setembro/2011 o Professor e Poeta José Bezerra relata sua trajetória familiar e profissional
Poeta cordelista desde muito jovem, José Bezerra de Assis nasceu na zona rural do município de Antônio Martins, no ano de 1948. Filho de agricultores, trabalhou na agricultura até os 27 anos. Reside em Patu há 28 anos, desde que decidiu seguir carreira no magistério. Em Patu estudou e se formou em Pedagogia, no campus da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), em 1985. Possui pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior, e é aposentado desde 2005, com 36 anos de exercício do magistério como servidor público estadual, José Bezerra atualmente ocupa o cargo de coordenador pedagógico da Secretaria de Educação. Como cordelista, ele lançou dois livros e atualmente possui um blog onde posta as poesias de cordéis que continua produzindo. José Bezerra é casado há 33 anos com Elizenir Bezerra de Almeida, com quem teve quatro filhos que já lhe deram netos.
O Mossoroense: O senhor é formado em pedagogia e sempre atuou na área pedagógica, e hoje é aposentado como servidor público estadual onde exerceu por 36 anos o magistério. Qual foi a trajetória percorrida até a aposentadoria?José Bezerra de Assis: Comecei a ensinar aos 20 anos, na zona rural de Antônio Martins, quando ainda cursava o ensino médio e ia para as aulas a cavalo, apenas três vezes por semana, porque era muito distante. Ensinei desde o Ensino Fundamental Menor e depois Ensino Fundamental Maior, Ensino Médio, fui professor por dois anos, com contrato provisório no Departamento de Educação da Uern, no campus de Patu. Na Uern lecionei as disciplinas de Filosofia da Educação, Introdução à Filosofia, Ensino da Língua Portuguesa, Política e Planejamento de Ensino e História da Educação.
OM: O senhor é natural de Antônio Martins, mas reside há 28 anos em Patu. Por que decidiu se mudar para o Pé da Serra do Lima?
JB:
Eu vim para este lugar para estudar, porque eu morava na cidade de João Dias, trabalhava lá dando aulas, aí fiz vestibular porque tinha vontade de me aprofundar, de ser um professor mais preparado. Naquele tempo não tinha como fazer curso de formação para professor, era tudo muito difícil, não tinha como a gente sair para estudar fora. Então quando foi criado o campus aqui da Uern, no tempo em que ainda era Fundação Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), instituição particular. Nesse tempo fiz um grande esforço, fiz vestibular, passei e tive quer vir morar aqui. Consegui uma transferência, pois eu já era do quadro de servidores públicos do Estado. Quando vim para cá fui transferido para a Escola Estadual João Godeiro, ensinando em uma turma polivalente, onde os professores lecionam todas as disciplinas, de primeira a quarta série. Também dei aula em uma escola particular como uma tentativa para aumentar os rendimentos mensais que eram poucos. Depois que conclui o curso fui transferido para uma escola de Ensino Médio onde ensinei durante 15 anos, língua portuguesa, literatura e redação, que sempre foi a área de minha preferência.
OM: O seu envolvimento com as letras vai além de sua carreira pedagógica, já que o senhor também é poeta. Quando aconteceu o seu encontro com a poesia.
JB:
Desde cedo, na minha juventude sempre tive admiração pela literatura de cordel. E como professor, gostava de escrever algumas coisas na escola, principalmente em datas comemorativas, e comecei assim. Fui me motivando a escrever alguns poemas e as pessoas também pediam para eu escrever versos para a semana do folclore, do estudante, dia das mães, e fui tomando gosto por isso. Escrevi muitos poemas avulsos. Depois fui escrevendo alguns textos mais interessantes e guardando.
OM: Nessa época o senhor já pensava em publicar um livro com os seus poemas ou a ideia da publicação surgiu depois?
JB:
Ainda não. No início eu ia guardado os poemas que compunha com o intuito apenas de guardá-los. Até então não passava pela minha cabeça que chegaria o momento em que eu editaria um livro com aqueles poemas que guardava. Essa ideia surgiu depois de muito tempo mesmo.
OM: Quando surgiu a ideia de editar o livro?
JB:
Essa ideia só veio muitos anos depois de meu encontro com a literatura. Participei de um concurso a nível de estado intitulado Concurso de Versos Populares, em 1979, produzido pela Secretaria de Educação do Estado, aberto a todos os professores da rede estadual, para a produção de um cordel sobre a metodologia do curso de formação que nós professores fazíamos. Eu participei e fiquei em primeiro lugar. Recebi a premiação, e entre os prêmios estava a publicação de cerca de 500 exemplares do folhetinho de cordel, que foram distribuídos em todos os municípios onde era realizado o curso. Um ano depois um dos coordenadores do concurso, o professor José Cândido Cavalcanti, que gostava muito da literatura de cordel, me chamou para participar de um congresso nacional de professores em Brasília, para apresentar esse cordel e me deu um novo tema para que eu produzisse um novo trabalho também nessa linha pedagógica. Ele me deu todo o incentivo. Nessa época esse professor também era coordenador da Secretaria de Educação do Estado e me pediu para organizar todos os meus trabalhos porque iria viabilizar um apoio para que eu editasse meu livro. No entanto, devido a uma questão política, houve uma mudança do secretário de Educação e o professor José Cândido também deixou a equipe, e o projeto foi arquivado.
OM: Hoje o senhor já tem dois livros lançados. Quando o projeto de edição do primeiro foi concretizado? E qual o significado dessa realização?
JB:
O meu primeiro livro só veio a ser lançado no dia 13 de março de 2010, com o título "Fagulhas de Poesia", véspera do Dia Nacional da Poesia, durante evento comemorativo em alusão à data, realizado anualmente há quinze anos aqui em Patu, apenas 30 anos depois do surgimento do projeto. Sem dúvida o sentimento foi o melhor, foi muito gratificante. E depois do primeiro, veio o segundo um ano depois, lançado na edição deste ano da mesma festa, intitulado "Nas Trilhas do Cordel". Só consegui concretizar o projeto com o apoio do amigo Aluísio Dutra, que em 2009 era secretário municipal de Educação e deu todo o apoio para que esse sonho não voltasse a ser arquivado. Tenho planos de lançar um outro livro, mas não é um projeto para agora.
OM: Os seus cordéis possuem uma temática específica ou o senhor escreve sobre temas variados?
JB:
Os temas são variados, gosto de escrever sobre fatos do cotidiano que me chamam a atenção, ou então com uma temática social, como a questão da violência, o combate ao uso de drogas, a importância da preservação ao meio ambiente e sobre a questão política.
OM: O senhor também está presente na rede mundial de computadores assinando um blog onde posta seus cordéis. Como se deu o seu ingresso na internet?
JB:
Resolvi criar o blog "Sertão Caboclo", que está no ar desde dezembro de 2009, e tenho um compromisso com os internautas de estar sempre atualizando e postando meus textos.
OM: O senhor escreve apenas cordéis ou também faz outros estilos de poesia?
JB:
Esse é o meu estilo, que vem desde sempre me acompanhando. Eu só escrevo literatura de cordel. Algumas pessoas me pedem para escrever outros estilos e atendendo aos pedidos escrevi dois sonetos, mas não gosto. Dentro do estilo da literatura de cordel escrevo estrofes de seis versos, chamados de sextilhas, as décimas, motes, motes em dez sílabas, motes em decassílabos, oitavas, oitavas de sete sílabas e dez sílabas. Todos rimados e metrificados, adoto um estilo parecido com o desenvolvido pelo poeta e meu amigo mossoroense Antônio Francisco.
OM: Elementos culturais e artísticos faziam parte da metodologia que o senhor utilizada no período em que lecionava. Como o senhor vê a importância dessa junção de elementos pedagógicos e culturais?
JB:
Sempre. Eu sempre me vali do uso desses elementos, principalmente, quando eu dava aulas de literatura para turmas do Ensino Médio, utilizando muito elementos da cultura popular, como os folhetos de cordel. E uma coisa que me deixa feliz é saber que meus livros estão sendo muito usados pelos professores nas salas de aula aqui de Patu. E os textos postados no blog também estão sendo usados, como uma série de cordéis que fiz sobre ecologia, com base no tema da Campanha da Fraternidade deste ano.
OM: Você gosta bastante de ler. Quais são os seus autores preferidos?
JB:
Sim eu gosto de ler e leio todos os dias. Na linha pedagógica leio muito Paulo Freire, que é o meu favorito. Na parte literária, relacionada à poesia, eu gosto mais de autores que se aproximam mais da cultura nordestina, como Fernando Pessoa, que mesmo sendo de Portugal tem uma identidade com a nossa realidade. Mais até do que brasileiros como Carlos Drummond de Andrade. Agora gosto muito de Zé da Luz, Patativa do Assaré, são minhas referências, assim como José Laurentino e Chico Pedrosa.
OM: Na sua opinião, os jovens estão cada vez mais perdendo o interesse pela literatura?. Como o senhor vê a relação dos jovens com a leitura?
JB:
Esse afastamento realmente acontece porque muitos estudantes não despertaram ainda para a importância que a leitura tem. Vejo isso com certo desencanto e questiono muito essa situação, já que sou responsável pela criação de projetos que estimulem o hábito da leitura, e estamos trabalhando também com o objetivo de ajudar aos professores. Porque a gente vê que poucos alunos gostam de ler. Isso nos entristece. Eu entendo que para que se interessem pela leitura se faz necessário que haja um incentivo constante, um acompanhamento de professores, por exemplo.
OM: O senhor acredita que a propagação dos livros virtuais irá estimular os jovens a se interessarem pela leitura, utilizando a internet?
JB:
Não acredito que isso aconteça, já que a internet oferece uma série de outras possibilidades, como sites de relacionamento e outros tipos de ferramenta que infelizmente atraem mais a curiosidade e o interesse dos jovens do que os livros.
OM: Quais são as consequências da falta de leitura para a vida dos jovens?
JB:
As consequências são desastrosas. Uma pessoa que não tem o hábito de ler, no caso de jovens, por exemplo, ficam em desvantagem na hora dos estudos, porque não escreverá bem, não se expressará bem. E na realidade de hoje na qual a sociedade está cada vez mais competitiva a falta de leitura, se reflete sobre o resultado de concursos, testes de conhecimento, e geralmente é a causa do fracasso na maioria dos casos.
OM: A sociedade é carente de iniciativas para o incentivo, a valorização e a preservação da cultura popular?
JB:
Com certeza. O povo de um modo geral gosta mais de valorizar o que vem de fora. Um exemplo disso é que nessa festa que está sendo realizada em Patu, na noite das apresentações de violeiros, figuras características da cultura sertaneja, o público é reduzido, enquanto que algumas bandas que cantam músicas sem letra, com expressões pejorativas, lotam a praça de eventos. É preciso uma maior sensibilidade por parte dos governantes nesse sentido, para que seja dado um maior destaque aos elementos representativos da cultura local.
Por Nara Andrade
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