8 de julho de 2012

DEUS NA MIDIA E NOS PALCOS


Pelos séculos de história do cristianismo, é fenômeno recente. E é cedo para avaliá-lo: padres, pastores, pastoras e leigos que sobem ao palco e dançam e cantam, enfrentam câmeras e microfones, visitam programas de auditório, vão lá e se expõem nos modernos Areópagos e nas gigantescas ágoras do mundo. Exceto a Bíblia, poucos livros alcançaram as tiragens dos livros e Cds desses novos pregadores. Vendem milhões de exemplares e atraem milhões de fiéis das mais diversas igrejas para ouvi-los. Representam uma parte do novo da fé; a parte mais visível, diga-se de passagem!
Foi-me oferecido este caminho e decidi trilhá-lo apenas em parte. Mas foi decisão pessoal. Isto não quer, em absoluto, que os pregadores midiáticos de agora estão errados. Fiz a minha opção e eles fizeram a deles. Não aceitei me expor para milhões porque eu não saberia lidar com isso. Eles ousaram porque acham que sabem. Talvez eu seja o medroso posando de prudente e eles os atirados fazendo o que tem que ser feito. Mas pode ser que minha escolha leve outros pregadores a pensar um jeito de expor sem se expor demais. O debate vai longe!
Não há nenhum documento das igrejas que proíba o uso das câmeras, dos palcos e microfones; antes, elas os incentivam. Mas pedem de todos um comportamento ético, não importa qual o grau de exposição que assumam. Isso de se expor é escolha pessoal. O limite deve ser traçado pelos superiores e pelo próprio pregador. O povo que é o destinatário da mensagem decidirá se aprova ou não. Mas delineia-se cada dia mais forte nas histórias das igrejas a figura do pregador midiático, a ponto de razoável número de seminaristas admitir que a presença do padre ou do pastor na mídia pesou na sua escolha. O púlpito se ampliou e eles o querem.
Perguntado sobre meus porquês respondi, uma vez, que, guardadas as devidas proporções, eu já me expus além do que sabia ir. Fui o maior cantor de torre de igreja. Nos anos 70 estava em quase todas as cornetas que haviam substituído os sinos. Quando na década de 90 chegou a televisão religiosa e, depois, a laica que viu vantagem em abrir espaço para pregadores e cantores da fé, fiz minha opção de aparecer o menos possível. Sendo professor de comunicação por três décadas fui chamado a opinar sobre as novas maneiras de anunciar Jesus e nunca disse que era contra. Alertei e alerto não para o “se”, mas para o “como” e para o “até que ponto”.
Há um limite para aquele que anuncia Jesus na mídia? Quando sua presença ali é positiva e quando inconveniente? Vamos descobrindo aos poucos e saberemos cada vez mais se os fiéis de cada igreja aprovam ou reprovam seus novos pregadores. As multidões de agora podem ser os parcos quinhentos 500 ouvintes de amanhã. Imagem satura e cansa. Todo cuidado é pouco. Incluo-me entre os que ousaram o caminho do som e da imagem e acho que estamos fazendo história; mas sustento que seremos julgados pelas palavras, pelo jeito, pelos gestos, pela arrecadação, pelos preços de nossas pregações, pelo luxo ou conforto, e por nossas fraquezas que cada qual tem a sua.
O povo sabe que ser famoso não e o mesmo que ser culto e santo e que vender muito não é o mesmo que saber muito. Os critérios começam a tomar vulto e quem não ler os sinais nos olhos e nos sobrolhos do povo de Deus corre o risco de acordar com um X em cima do seu nome. Se, para estar no pódio levamos três a quinze anos, qualquer palavra ou atitude menos pensada diante de câmeras e microfones pode nos tirar daquele protagonismo. A televisão é mestra em engolir e cuspir fora. De longe a imagem é mais efêmera do que a palavra. A mensagem que portamos é maior do que nós. E este é o risco sobre o qual alertei meus alunos por mais de 30 anos: “ a mensagem não pode ser maior do que o mensageiro”. Quando é, há alguma coisa de errado com um ou com outro. Assunto para se meditar!

Pe. Zezinho scj