1 de agosto de 2012

POR QUE SE FORAM DE NÓS? - Formação


Há uma resposta irada, outra angustiada e outra serena sobre os católicos que ontem iam à missa e, hoje, estacionam seus carros na quadra vizinha, para ir ao culto de uma igreja pentecostal. Lá, oram diferente com um pastor que prega e ora diferente do seu, ontem, pai espiritual, chamado padre. Trocaram o pai pelo pastor. De filhos espirituais optaram por ser ovelhas. Devem ter achado que valeu a pena, senão não teriam trocado de templo e de endereço.
Venceram os pregadores de lá. O discurso deles foi mais convincente. Alguém dirá que foi também o testemunho, mas aí seria argumento discutível porque o que aparece na mídia em ermos de desvios não favorece nem uma nem outra igreja. Pregadores-pecadores os há em todas elas. Houve até no grupo de Jesus! Desde Jesus nem todos os discípulos perseveram na fé e nos costumes. As Igrejas precisarão, o tempo todo, perdoar seus fiéis e seus líderes que erraram. Nenhuma delas sobreviveria sem a doutrina do perdão. (Mc 11,25)
Como a vida e a fé têm muitos vai-e-vem, nós que estamos no mundo há dois milênios e no Brasil há 500 anos, sabemos da força e do poder do novo, contado e mostrado de um jeito novo, e através de poderosos novos veículos. Em matéria de enfrentar dissidências, a Igreja Católica tem larga experiência. Começou já pelos meados do século 2 com Montano com sua Nova Revelação e Nova Profecia. Ele foi provavelmente o primeiro dissidente que se proclamou a melhor resposta para os eu tempo. Crescíamos aqui perdíamos ali. O mesmo está acontecendo com igrejas pentecostais de apenas 4 ou 5 décadas. Ganham a que perdem ali para algum bispo ou apóstolo dissidente. Dissidentes dos anos 70 estão hoje, amargando dissidências e assistindo ao nascer de novas igrejas insatisfeitas com suas lideranças.
Enfrentamos separações umas duzentas vezes, com grupos dissidentes que nasceram entre nós e se tornaram igrejas sem nós ou contra nós. E foram centenas, senão milhares as pequenas e grandes comunidades nascidas do catolicismo que, lideradas por algum pregador que sentia ter mais a oferecer foram buscar mais Jesus em outros púlpitos, livros e altares.
O marketing religioso feito com grande competência por pregadores de outras igrejas certamente tem muito a ver com o seu crescimento. Se bancos, carros, palhas de aço, sabonetes e cremes passam a ter milhões de compradores, e artistas, milhões de fãs, porque apareceram na mídia, porque não uma Igreja? Se é certo ou errado é assunto para outra conversa. Por enquanto, registre-se o fato: as igrejas que foram à mídia estão colhendo resultados.
Vai durar? Nem eles nem nós sabemos. Qual será o resultado deste resultado inicial daqui a 50 anos? Quem viver verá! O fato é que milhares foram embora, muitos voltaram e outros continuam indo. Penso em pátios sem portões. Entra e sai quem quer. Nem Jesus segurou os seus. Releia João 6, 60-71. O texto é duríssimo! A nós não compete julgar. Escolheram! Escolhamos!
Pe. Zezinho scj