25 de novembro de 2012

Era ou não era rei?

Não é só chamar Jesus de rei. Se isso for uma assimilação da pessoa de Jesus com os senhores deste mundo, aí chamá-lo de rei pode ser até uma blasfêmia. Mas, na tradição bíblica Deus é Rei. Mas, não é rei como Faraó ou como Nabucodonor.

Quando o povo animou-se para fazer de Jesus um rei, ele esquivou-se. Deu um jeito de sair fora. Não quis ser conhecido pelo povo como rei. O povo conhecia e dependia de reis no tempo de Jesus. Herodes era rei na Galiléia. O Profeta João Batista denunciou a sua vida amorosa escandalosa com a cunhada e também seus desmandos. César governava o império romano. Não queria nem ser rei, queria ser deus. Queria ser adorado como deus. César, o representante de um império violento e explorador, era o homem dos impostos e da repressão. Suas legiões controlavam o povo da Palestina e de todas as províncias do império. É claro que Jesus não queria, nem de longe, ser comparado com esses senhores. O povo queria aclamá-lo rei. Jesus saiu fora.

Mas, é claro, o povo sabia que rei não precisava ser assim violento, injusto, repressor. O povo de Deus guardava na memória a lembrança de alguns reis bons e justos que, no passado, levaram o povo à prosperidade e à paz. O mais lembrado de todos sempre foi o rei Davi. Esse era dos bons. Desde o início, foi um rapaz simples, um pastor de ovelhas dedicado. Quando rei de Israel, procurou cuidar do povo com muita responsabilidade e sabedoria. Não foi o melhor do mundo, mas até Deus o aprovou como rei do seu povo. Foi por isso que, na entrada de Jerusalém, o povo aclamar Jesus como rei. E neste ponto Jesus não se opôs, deixou o povo fazer a festa e chamá-lo de "filho de Davi". Ser rei assim, tudo bem.

Mas, ninguém se enganasse, Jesus não queria ser rei com armas, com soldados, com cadeias, com poder de coerção. Queria ser obedecido sem o uso da força ou da pressão. O reino de Deus não iria se estabelecer por decreto. Não seria uma invasão. Ou uma revolução armada, em que os mais fortes imporiam um regime. O reino que ele estava instalando dependia da boa vontade das pessoas, de sua adesão livre. O reino era uma proposta. A resposta das pessoas não poderia ser movida por medo da prisão ou mesmo do inferno. A única resposta válida só poderia ser a da fé, da adesão incondicional, da acolhida da pessoa de Jesus e de sua mensagem por amor. Uma adesão sincera e livre à verdade. Foi por isso que Jesus disse a Pilatos: "Sim, eu sou rei. Mas, meu reino não é deste mundo. Só quem é da verdade escuta minha voz".

Para encerrar o ano litúrgico, a Igreja cada ano faz festa para Jesus Cristo, rei do universo. E é essa a razão: porque ele é rei de verdade. Mas, não o é como os Herodes e Césares de hoje que você conhece. Recorde o que o anjo disse a Maria: "Ele(Jesus) será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre e seu reinado não terá fim" (Lc 1, 32-34). Ele é rei de verdade. Você faz parte deste reino que ele veio inaugurar. E sua participação neste reino baseia-se na lei da liberdade e do amor que ele pregou e viveu. É por isso que você de vez em quando junto com seus amigos, nos encontros e celebrações, aplaude o rei e grita: "Rei, Rei, Rei, Jesus é o nosso Rei'.

Pe. João Carlos Ribeiro