7 de dezembro de 2012

Imaculada, festa da humanidade



O povo católico está em festa com a Imaculada Conceição da Virgem Maria. Mas, todos os cristãos deviam estar em festa, se entendessem bem o significado dessa comemoração. E não somente os cristãos. Todos os homens e mulheres. E por uma razão que escapa à maioria das pessoas: estamos festejando a vitória da humanidade sobre o pecado. A vitória da humanidade redimida por Cristo. Vou ver se consigo me explicar.
A humanidade simbolicamente começou com os nossos primeiros pais. Na Bíblia, o início de todos os homens e mulheres na terra está representado por Adão e Eva. Eles foram criados por Deus. Viviam em completa harmonia com o Criador. Completavam-se um ao outro, em sintonia perfeita. Conviviam respeitosamente com toda a natureza criada. Mas, os seres humanos não corresponderam à graça de Deus: escolheram outro caminho que não era o da vontade de Deus. A desobediência está representada em ceder à tentação do diabo (a serpente) e comer o fruto da única árvore que Deus tinha recomendado que não provassem. O pecado dos nossos primeiros pais foi um gesto de liberdade: a humanidade nas suas origens decidiu contra Deus.

As consequências do pecado dos nossos primeiros pais foram desastrosas. Eles romperam a harmonia que havia com o Criador, desmantelaram a boa convivência e a sintonia que existiam entre homem e mulher e entre seres humanos e o mundo circundante. Por isso, Paulo explicou que o salário do pecado é a morte. O pecado desorganizou a felicidade e trouxe desgraça para homens, mulheres e a natureza. Isto é o pecado original. O pecado dos nossos primeiros pais. A condição de toda a humanidade. Quando nascemos, herdamos, como membros da humanidade, essa condição de distância de Deus, de rompimento com o Criador. Nascemos todos com o pecado original.

A obra de Jesus foi vencer o pecado. Resolver essa situação. Por sua morte e ressurreição, Jesus reverteu esse quadro. Restabeleceu a antiga unidade e comunhão entre a humanidade e seu Criador. Apagou o pecado do mundo. Nele, homens e mulheres podem renascer livres e em completa união com Deus. Ele é o novo Adão, pelo qual entrou a graça e a vida no mundo. Pelo antigo Adão, era o pecado e a morte que tinham entrado. Jesus restaurou a obra da criação que fora desfigurada pelos primeiros humanos.

E como é que Maria entra nessa história? É que ela é a primeira na humanidade a ser beneficiada pela obra salvadora de Jesus. Em previsão dos méritos de Jesus, de sua morte redentora, o Pai a preservou do pecado original. Pelos merecimentos da morte e ressurreição de Jesus, Deus antecipou para ela a graça de já nascer na comunhão perfeita com o Criador. Não herdou como nós a condição humana de afastamento e inimizade com Deus. Maria nasceu sem separação do amor de Deus. Essa foi a obra de Jesus: nos reconciliar com Deus. Nós nascemos com o pecado original. Mas, pelo batismo, ele é apagado. Passamos a viver a nova condição de criaturas e filhos em comunhão com o Criador. É por isso que a Igreja batiza as crianças. Elas também são herdeiras da condição de pecado que vem dos nossos primeiros pais, isto é, de nossa solidariedade com a humanidade. Para Maria, essa graça foi antecipada. Foi gerada sem o pecado original. Foi preparada assim para ser a mãe do Verbo encarnado.

Maria é a representante da humanidade redimida por Cristo. É por isso que a festa da Imaculada Conceição não pode ser festa só dos católicos. É festa de todos os cristãos, de toda a humanidade. É a festa da vitória da humanidade redimida por Cristo.

Pe. João Carlos Ribeiro