13 de março de 2013

A PEDAGOGIA DA INSISTÊNCIA

O episódio de Abraão a debater com Deus, ( Gn 18,20 -33; 19,1-26) da mulher cananéia a discutir com Jesus, (Mt 15,22-28) mais o Pai Nosso, como está descrito em Lucas 11,1-13, levam-nos á pedagogia da oração insistente, quase teimosa…
Abraão tentou levar Deus na conversa, perguntando se ele, o bom Deus puniria duas cidades com 50, com 40, com 30, com 20, com 10 justos… Deus foi dizendo que perdoaria, se houvesse tantos justos nas duas cidades. Mas não havia. Destruiu-as… Há pedagogia nesta narração. A mulher cananéia pediu insistentemente pela filha. Conseguiu. Jesus a atendeu. No Pai-Nosso, descrito por Lucas Jesus deixa claro que a oração insistente produz resultado. Os humanos atendem para se ver livres da insistência de quem pede, mas Deus o faz porque ama e porque a pessoa que insiste no bem, amadurece.
Há pedagogia nestes textos. O ato de persistir revela fé e esperança. Deus pode, Deus quer, Deus ouve! Por isso não faz sentido alguém orar a Deus para que ele possa curar alguém!…Ouve-se muito isso no rádio e nos templos: Que Deus possa te abençoar! Alguém duvida disso? Dar, de um jeito ou de outro ele dá, mas muito depende de quem recebe ou pede. Cabe a quem ora persistir no seu pedido, porque Deus tem o poder, mas nós só temos o pedir. O pedir, porém, embora não seja poder, tem lá o seu poder. Há poder na concessão e há um certo poder na oração. O livro do Gênesis, e os evangelhos de Lucas e Mateus afirmam isto. Conceder e conseguir são dois verbos que caminham juntos.
Não é, pois, questão de orar, estalar os dedos e magicamente conseguir tudo que se pede. É questão de persistir e saber que Deus ouve e se importa, mas a hora e a graça serão decisões dele. Que Deus não fica indiferente, não fica! Mas faz bem ao crente insistir. É sinal de esperança!
Na pedagogia de todas as igrejas cristãs, o tema insistência ganha foro de teologia, à medida que se adentra o mistério da liberdade humana, da consciência que o fiel tem de si mesmo e de Deus na sua vida. A mulher Cananéia tinha um grande amor pela filha e uma grande confiança em Jesus. Dizia o que sentia e enfrentou Jesus como quem confiava nele. Não foi desrespeito, nem dela, nem de Jesus. A expressão “cachorrinhos” não foi para ofender. Era um provérbio daqueles dias. Significava que não se deveria desperdiçar favores. Ela provou que com ela não seria desperdício.
Há poder transformador na oração. A primeira das transformações acontece no coração de quem ora! É um ato de fé. Nasce do pedir, do poder e do esperar no todo-poderoso que é, também, misericordioso!