24 de fevereiro de 2014

Natal do Pe. Jean Berthier ms

“Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter...”

Pia Batismal do Pe. Berthier, em Chatonnay
Há 174 anos, no dia 24 de fevereiro de 1840, nascia, em Châtonnay (Isère, França), Jean Berthier. Primeiro filho do casal Marie Putaud e Pierre Berthier, Jean tornar-se-ia Missionário de Nossa Senhora da Salette (1862), escritor e pregador muito conhecido (publicou em em torno de 40 livros, alguns traduzidos em até oito línguas, e pregou retiros e missões populares em dezenas de dioceses da França!) e, mais tarde, fundador dos Missionários da Sagrada Família (1895).

Todos sabemos que nossa vida não pode se resumir em recordar aquilo que se foi, por mais que ninguém possa esquecer impunemente que o passado deixa marcas vivas e suscita dinamismos no presente. Mas as visitas ao passado servem para identificar raízes e, mais ainda, para suscitar e alimentar sonhos que, projetados no futuro, iluminem e orientem o presente. Por isso, recordo o nascimento do nosso Fundador com o desejo de acolher e dar vida ao sonho dele e nosso.

Uma das principais marcas da vida e do ministério do Pe. Berthier é sua atenção a todos dos grupos de pessoas. Ainda jovem, com 23 anos de vida, escreveu um livro para ajudar as mães cristãs na sua vocação específica e na tarefa de educar os filhos numa perspectiva cristã. E depois não parou mais: escreveu livros direcionados aos jovens, às jovens, aos homens, às crianças, aos vocacionados, aos religiosos e religiosas, aos padres... E não cansava de insistir: uma missão nunca será frutífera se deixar em segndo plano os homens e as crianças...

Uma segunda marca desta vida plena de espírito evangélico e amor pela Igreja é a paixão pela formação à vida religiosa e missionária. A este ministério o Pe. Berthier dedicou quase três décadas de sua vida. Para dar carne e sangue a esta paixão, quis conhecer novas experiências, ousou tomar iniciativas inéditas, situou-se ao lado e no nível dos formandos, partilhou com eles os trabalhos, mesmo os mais duros, fez-se tudo para todos... E sem esquecer o acompanhamento sério e competente de outras pessoas na realização da própria vocação.

Quando jovem diácono da diocese de Grenoble, Berthier sentiu-se seduzido pela vida religiosa, assim como lhe foi mostrada na pequenez e simplicidade da nascente comunidade dos Missionários Saletinos. Mais tarde, ressoou no seu grande coração os contundentes apelos do Papa Leão XIII, que sacudiam a Igreja e pediam um novo despertar missionário. Mesmo sem jamais ter pisado uma “terra de missão”, em todas elas palpitou o coração inquieto do Pe. Berthier. E ele não descansou enquanto não reuniu em torno de si um grupo de jovens missionários.

Aos 55 anos de idade, e mesmo sem contar com uma saúde robusta, Berthier deixou sua França amada e refugiou-se na Holanda, então um oásis do catolicismo, para realizar seu sonho de formar missionários para oferecer à Igreja. Sendo já autor de dezenas de livros, sua bagagem não passava de um pequeno baú e uma sacola. Esta simplicidade que impressionou um cardeal seu amigo prosseguiu e amadureceu em Grave, onde, até à morte (1908) dividiu com seus discípulos o refeitóro, o dormitório, o trabalho, a sala de estudos, a pobreza e os sonhos, tudo...

Serão estas apenas “marcas do que se foi”, como diz a conhecida canção que entoamos no final do ano? Ou serão também traços dos “sonhos que vamos ter”, da utopia que orienta nosso caminhar, quase dois séculos depois? De minha parte, creio que a atenção às necessidades e possibilidades de cada pessoa e grupo, a paixão pelas missões, a busca de uma pedagogia inovadora, a simplicidade e a proximidade em relação ao povo, são preciosos elementos na consolidação da vida cristã, religiosa e apostólica também no tempo que se chama hoje.

Itacir Brassiani msf