26 de novembro de 2014

A vinda

Quando esperamos alguém importante ou uma pessoa muito querida nossa emoção se torna radiante e alegre. Afinal, a vida só vale para amar, a partir de quem queremos e nos quer bem!

A humanidade, optando por andar sozinha, viu-se sem rumo e possibilidade de realização na sua história presente. A ciência, o desenvolvimento econômico, a cultura e a técnica não têm sido suficientes para preencherem o vazio de Deus em sua realidade. Mas o Criador, amando a obra por Ele criada, especialmente a que Ele fez como sua imagem e semelhança, foi dando sinais de querer arrumar um lugar no contexto humano, tornando-se um de nós, com todas as conseqüências, menos a de se ater ao que invalida a relação com o divino, ou seja, o mal moral.
A vinda do Filho de Deus humanizado conosco exige preparação especial de nossa parte. Ele avisa pelos profetas que vem “ao encontro de quem pratica a justiça com alegria, de quem se lembra de ti em teus caminhos” (Isaías 64,4). A preparação empolgante para recebê-lo precisa da abertura para viver na justiça de quem se reconhece pecador mas quer mudar de vida, atendo-se às suas orientações e seguindo seus exemplos.
O Advento é eminentemente propício para nos colocar em atitude de aceitação da vida nova trazida pelo Cristo. Ele nasce no coração vazio de si mesmo, com abertura ao outro, numa verdadeira atitude de fraternidade e solidariedade. Amar é o critério para Ele nascer no coração da pessoa que deseja acolhê-Lo e entrar em comunhão com Ele. Cada um, então, se coloca em disponibilidade para realizar o que Ele vai indicando. Seu Evangelho é o livro aberto de sua vida a nos ensinar o caminho a seguir. Em primeiro lugar deve-se estar disposto a mudar de vida, ou seja, romper com a maldade e o egoísmo e superar tudo o que nos fixa em nossas atitudes contrárias ao serviço ao próximo, à convivência familiar oposta aos ditames da ternura, da compreensão e do amor.
A espera da chegada do Salvador nos faz abertos ao diálogo da oração pessoal, em família e na comunidade. A novena do Natal é um instrumento muito eficaz para tanto!
A penitência nos faz fortificar a vontade para nos treinarmos e fortalecermos nossa vontade, superando as tentações do egoísmo, da busca desenfreada dos apetites instintivos e do orgulho pessoal.
Sentimo-nos alegres, sabendo que nossa vida em busca de realização tem jeito. O jeito proposto pelo Emanuel. Ele nos ensina a verdade sobre nós, nossa vida familiar, social e eclesial. Precisamos ficar dóceis à ação do Espírito Santo para afinarmos nossa vontade à de Deus, como vem nos ensinar o Deus-conosco!
Com a penitência abstemo-nos de coisas supérfluas para reservarmos uma doação consistente e ajudarmos a evangelizar, através da coleta para a Evangelização feita no 3.o domingo do Advento. Ajudamos assim, a ação evangelizadora da Igreja em nossa região e em todo o Brasil.
A vinda do Salvador nos dá um novo entusiasmo para revermos nossa vida em vista do proposto por Ele.

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Fonte: CNBB