25 de dezembro de 2015

Natal – Alegria dos homens e de Deus

O que é o Natal? Essa pergunta, feita ao longo de dois mil anos, tem recebido as mais diversas respostas. Ainda não se chegou a um consenso quanto ao sentido dessa festa, nem entre habitantes de um mesmo país nem entre pessoas de uma mesma classe social. Poderíamos sair pelas ruas de nossa cidade, interrogando quem encontrássemos, crianças ou adultos, agricultores ou comerciantes, estudantes ou donas de casa. Feita a pergunta, ouviríamos respostas tão diferentes que ficaríamos surpresos e pensaríamos: será que todos estão falando da mesma festa? Concluiríamos, então: eis aí uma pergunta que obriga cada qual a posicionar-se, a revelar seus próprios segredos e o que pensa a respeito do Evangelho.
Uma bela síntese do significado do Natal nos foi dada pelos Anjos, na noite santa de Belém. Dirigindo-se aos pastores que, nos arredores da cidade, “vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos” (Lc 2,8), os enviados do Senhor cantaram: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama” (Lc 2,14).
Não estamos diante de um desejo, mas da expressão de uma verdade: os Anjos declararam aquilo que estava acontecendo. O nascimento do Menino Jesus manifesta a glória de Deus e traz a paz a homens e mulheres. A paz nos é dada não por sermos bons, mas porque somos amados por Deus. O Natal não é, pois, um apelo à nossa boa vontade e, sim, do alegre anúncio da bondade de Deus. Estamos aqui diante da suprema manifestação de Seu amor: Deus tanto nos ama que nos presenteia com o seu Filho.
O Natal nos ensina que há duas maneiras diferentes de manifestarmos o nosso amor. A primeira, é dando presentes. Foi assim que Deus expressou seu carinho na criação: deu-nos o sol, as flores e o ar; a lua, a água e as sementes. A outra maneira é mais difícil: trata-se de sofrer pela pessoa amada. Foi assim que Jesus, o enviado do Pai, nos amou na encarnação: “sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens” (Fp 2,6-7).
Para penetrar no mistério do Natal não adianta querer “compreender” a cena do presépio: ali está uma criança frágil; ali está o filho do Altíssimo, que nasce num refúgio de animais… Somos chamados a “contemplar” essa criança, que não foi acolhida na cidade de Belém e nem no coração de seus habitantes.
O canto dos Anjos de Belém – “Glória a Deus!” -, deixa claro que o Filho de Deus se fez homem para nos trazer a paz. O problema é que podemos rejeitá-lo ou ignorá-lo, como também podemos acolhê-lo e deixar que nossa vida seja transformada por sua mensagem. Jesus se fez homem para dar glória a seu Pai. Assumiu a condição de escravo, de pecador, para reparar a honra divina ofendida pelo pecado. Em Jesus, Deus passa a ser amado digna e plenamente aqui na terra. Assumindo-nos como irmãos, o Menino de Belém nos diviniza e nos dá como herança a sua herança. Seu Pai passa a ser o nosso Pai; a vida eterna torna-se um direito nosso.
Por tudo isso, essa festa, além de marcada pela alegria de todos, é muito especial para Deus: vendo-nos acolher o Seu Filho, e vendo-nos, particularmente, sendo acolhidos e aceitos por ele, como irmãos, o Pai eterno pode dizer a cada um de nós o que disse, referindo-se a ele, em dois momentos de sua vida (Batismo e Transfiguração no Tabor): “Tu és meu filho muito amado!”